Ante situação grega, Bruxelas diz que pertencer à eurozona é 'irrevogável'
SÃO PAULO, SP - A participação de um país na zona do euro é irrevogável para Bruxelas, disse nesta segunda-feira (5) uma porta-voz da Comissão Europeia, em resposta a uma pergunta sobre uma possível saída da Grécia da zona da moeda única.
"Pertencer ao euro é irrevogável", disse Annika Breidthardt, recordando que esta condição está inscrita no Tratado de Lisboa.
A revista semanal alemã Der Spiegel publicou no último fim de semana que o governo alemão julga inevitável a saída da Grécia da zona do euro se a coalizão de esquerda radical Syriza ganhar as eleições legislativas de 25 de janeiro.
O presidente da França, François Hollande, por sua vez, declarou nesta segunda que os gregos são "livres para decidir soberanamente seu futuro".
Quanto à eventual saída da eurozona, Hollande afirmou que "só a Grécia pode decidir a respeito ".
Em 28 de dezembro, O primeiro-ministro da Grécia, Antonis Samaras, anunciou que as eleições legislativas para a formação de um novo governo no país devem ocorrer em 25 de janeiro.
O candidato que contava com o apoio de Samaras, Stavros Dimas, fracassou na terceira e última tentativa de aprovação pelo Parlamento.
A constituição grega estabelece que, caso não haja a aprovação do Parlamento após três tentativas, o governo deve ser dissolvido e novas eleições convocadas.
Samaras, no posto desde junho de 2012 e defensor da austeridade imposta ao país pela troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI) como condição para o recebimento de ajuda financeira, lamentou o resultado e culpou os deputados que não votaram com Dimas.
O líder da oposição, que também está à frente nas pesquisas de intenções de voto, Alexis Tsipras, do partido de esquerda e contra os planos de austeridade Syriza, declarou que a eleição mostrou a "vontade do povo de terminar com as políticas de austeridade" e que o dia foi "histórico" para a democracia grega.
