Inimigo de Putin é detido durante protesto em Moscou
SÃO PAULO, SP - Um dos maiores inimigos do presidente russo Vladmir Putin, Alexei Navalny, foi detido na terça (30) após violar sua prisão domiciliar para se juntar a protestos contra uma nova condenação que recebeu e a detenção de seu irmão.
Para os opositores russos, as penas são meramente políticas, já que Navalny é um forte opositor do governo Putin, frequentemente denunciando esquemas de corrupção do Kremlin.
Além dele, outros manifestantes também foram detidos.
Navalny parecia já saber o que aconteceria. A caminho dos protestos, postou no Twitter uma foto de si mesmo no metrô, com a legenda "Sim. Há uma prisão domiciliar, mas hoje eu quero estar com você [referindo-se ao irmão] então estou indo".
Segundo a polícia local, Navalny seria levado de volta para a casa. No entanto, ainda não há a confirmação desta informação.
Mais cedo, Alexei e Oleg Navalny foram condenados. A Alexei foram impostos três anos e meio sob liberdade condicional. Oleg, entretanto, foi preso, pelo mesmo período de tempo.
Milhares de pessoas protestam perto da Praça Vermelha nesta terça-feira (30) contra a condenação dos irmãos.
Os protestos são o ato mais ousado de demonstração de insatisfação com o governo do país em anos
O próprio Alexei os havia convocado mais cedo "Este regime não tem o direito de existir. Deve ser destruído. Chamo todos às ruas", disse.
Antes, criticou a prisão do irmão.
"Por qual motivo prendem o Oleg? É para me pressionar?", questionou o opositor enquanto dava socos numa mesa.
"As autoridades estão torturando e destruindo familiares de dissidentes", acrescentou.
Os dois foram considerados culpados do desvio de 27 milhões de rublos (cerca de R$ 1,26 mi), prejudicando a filial russa da empresa francesa Yves Rocher.
A empresa havia indicado, entretanto, que não sofreu prejuízo por conta de suas relações com a empresa de transportes dos irmãos, a Glavpdpiska.
A sentença, inicialmente prevista para sair em 15 de janeiro, foi adiantada para esta terça, véspera de ano novo, e proferida em menos de 15 minutos, algo incomum no país.
Para opositores do governo, este é mais um indício de que os julgamentos são políticos.
REAÇÃO OCIDENTAL
A União Europeia afirmou que as condenações de Navalny parecem ter motivações políticas. Uma porta-voz de Federica Mogherni, chefe da diplomacia do bloco lamentou que, com exceção de um pequeno grupo de jornalistas, não se admitiu a entrada do público ou de observadores internacionais no julgamento.
