Adolescente turco detido por insultar o presidente é libertado
SÃO PAULO, SP - Um adolescente de 16 anos detido na quarta em Konya, na Turquia por insultar o presidente Recep Tayyip Erdogan, foi libertado nesta sexta (26), mas aguardará julgamento e poderá pegar até quatro anos de prisão.
O menor, membro de um movimento de esquerda, é acusado de ter feito a ofensa durante um discurso na quarta, em um evento de homenagem a um turco assinado por islamistas no começo do século 20.
Em sua fala, o jovem criticou o partido governista AK e o presidente Erdogan e acusou ambos de corrupção, segundo a imprensa local. O Código Penal Turco proíbe insultar o presidente.
A detenção, um caso inédito para um menor por estes motivos, gerou críticas entre a oposição, que denunciou uma "guinada fascista" do governo, de tendência conservadora-islâmica.
Três estudantes que expressaram apoio ao jovem foram detidos na quinta-feira, mas não foram indiciados até o momento.
Erdogan, que dirigiu o governo turco como primeiro-ministro entre 2003 e 2014 até se tornar presidente do país, começou a receber críticas no verão de 2013 por seu viés autoritário.
Um grande escândalo de corrupção atingiu altos membros do governo turco no ano passado, mas o caso terminou arquivado pela Justiça. Erdogan acusa um ex-aliado, o imã exilado Fetulah Gulen, de ter orquestrado o escândalo para tentar afastá-lo do poder.
