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Tribunal do Maranhão afasta juiz que deu voz de prisão em aeroporto

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SÃO PAULO, SP - O Tribunal de Justiça do Maranhão decidiu, nesta quarta-feira (17), afastar o juiz Marcelo Testa Baldochi, que deu voz de prisão a três funcionários do check-in da companhia aérea TAM no aeroporto de Imperatriz (a 665 km de São Luís) no último dia 6. Cabe recurso da decisão. 

O afastamento foi decidido pelos desembargadores para que Baldochi não atrapalhasse a apuração em curso do processo administrativo disciplinar instaurado pelo tribunal. 

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O magistrado, que responde pela 4ª Vara Cível de Imperatriz, só será afastado depois que o acórdão for publicado no Diário Oficial de Justiça e o juiz ser notificado - o tribunal não informou o prazo que isso ocorrerá. 

Além do processo aberto no tribunal, há duas sindicâncias em andamento na Corregedoria-Geral de Justiça baseadas em reclamações contra Baldochi. As representações foram feitas por advogados, membros do Ministério Público e de moradores da cidade, citando supostas práticas de abuso de poder e usurpação de competência.

Baldochi tem, ainda, contra si sete pedidos de investigação abertos no CNJ (Conselho Nacional de Justiça), sendo que seis deles foram arquivados. O conteúdo das denúncias é sigiloso. 

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Também está em trâmite um pedido de providências sobre a suspeita de o magistrado manter, em suas fazendas, trabalhadores em condições análogas à escravidão. 


VOZ DE PRISÃO 

O incidente no aeroporto ocorreu no sábado (6). Pelo depoimento de funcionários da TAM, Marcelo Baldochi quis ser admitido em um voo quando já havia se encerrado os procedimentos de embarque. 

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Com a negativa, o juiz teria dado voz de prisão aos funcionários e acionado a Polícia Militar. Os empregados da TAM foram levados para uma delegacia. 

Um vídeo gravado por uma testemunha mostra o juiz dando ordem de prisão a um dos funcionários. "Quietinho, presinho. Fica quietinho aqui. Você está preso em flagrante agora, aguarde a polícia chegar", disse. 

Na época da denúncia, Baldochi disse, em nota, que o voo das 21h02 admitia o embarque 15 minutos antes da partida, mas que foi impedido de entrar meia hora antes, mesmo com o comprovante de check-in em mãos. 

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"Ao ofender isso o agente incorreu em ilícito civil e criminal, e toda e qualquer pessoa pode dar voz de prisão, chamar a polícia. Está na lei e ali se fazia presente um consumidor que exigia seus direitos. Essa é a democracia. Sem rótulos", afirmou, na nota. 

A reportagem não localizou o magistrado em seu gabinete em Imperatriz na tarde desta quarta para comentar a decisão do tribunal sobre seu afastamento.

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