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Dois detentos são mortos em presídios cearenses

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Dois detentos são mortos em presídios cearenses
Autor Detentos são assassinados em presídios cearensesWilson Dias/Arquivo/Agência Brasil - Foto: Reprodução

 Dois detentos foram assassinados dentro de estabelecimentos prisionais do Ceará no último final de semana. A primeira morte ocorreu no sábado (13), em Jaguaruana (CE). Francisco Ernani da Silva, 36 anos, aguardava julgamento na cadeia pública da cidade, a cerca de 180 quilômetros da capital, Fortaleza. Segundo a Polícia Militar (PM), a vítima foi esfaqueada após discutir com outro preso.

A Secretaria de Justiça do Ceará (Sejus) informou que o agressor usou um tipo de faca artesanal, e o homicídio foi cometido no horário de visita. A briga entre os dois presos causou confusão no interior da unidade, mas o princípio de motim foi contido pelo Comando Tático Rural (Cotar) e por policiais de Jaguaruana. Dois presos foram identificados como parceiros no homicídio e encaminhados à Delegacia de Morada Nova.

O segundo caso ocorreu na Penitenciária Francisco Hélio Viana de Araújo, em Pacatuba, região metropolitana de Fortaleza. Segundo a Sejus, presos alertaram os agentes penitenciários que, ao chegarem à cela, encontraram Araújo desacordado, com escoriações. Levado à enfermaria, o detento não resistiu aos ferimentos.

Onze detentos já prestaram depoimento, e a Sejus espera receber o laudo da Perícia Forense do Ceará (Pefoce) determinando a causa da morte. Araújo respondia por furto, roubo, extorsão, falsidade ideológica e peculato. Segundo a secretaria, a população carcerária cearense chega a quase 21 mil presos, dos quais 10 mil estão no sistema provisório, ou seja, ainda não foram julgados.

O 1º Censo Penitenciário Estadual, divulgado pela secretaria na última sexta-feira (12), aponta que 37% da população carcerária cearense tem entre 22 e 29 anos. Ao contrário do senso comum, a maioria de homens e mulheres não cometeu nenhum ato infracional na adolescência.

Sessenta e oito por cento dos presos cumprem pena por crimes contra o patrimônio e não contra a vida. Metade dos detentos não concluiu o ensino fundamental e quase metade (49%) ainda não foi julgada. Na capital, quase 22% dos presos são de famílias de pais analfabetos.

O levantamento, inédito, aponta como preocupantes a baixa escolaridade, a vulnerabilidade social – representada pelo elevado índice de informalidade no trabalho – e o uso de drogas. Apenas 2,8% dos presos trabalharam com a carteira assinada antes de serem presos.

Durante a divulgação do censo, a secretária da Justiça e Cidadania, Mariana Lobo, destacou a necessidade de as autoridades públicas conhecerem e compreenderem a trajetória de vida dessas pessoas por trás dos números referentes à situação carcerária se quiserem aperfeiçoar as políticas de recuperação. “Sem a possibilidade de devolver à sociedade um ser humano melhor, a execução penal é inócua e ineficiente”, disse Mariana.

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