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Profissionais de saúde 'abraçam' Santa Casa de SP após divulgação de dívida

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SÃO PAULO, SP - Em ato simbólico, médicos, enfermeiros e funcionários da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo abraçaram o prédio da instituição na manhã desta sexta-feira (12) em Santa Cecília, na região central da capital paulista. 

Os manifestantes se reuniram em frente à capela, onde receberam uma bênção. Depois, deram as mãos em torno do prédio da instituição, considerado o maior hospital filantrópico da América Latina. 

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O ato foi organizado pelo corpo clínico e reuniu cerca de mil pessoas. Segundo os organizadores, o objetivo foi chamar a atenção das autoridades para a crise financeira da instituição. "Não queremos que a Santa Casa morra", disseram os manifestantes. 


AUDITORIA 

Uma auditoria independente contratada pelo governo de São Paulo divulgada nesta quinta-feira (11) revela que a dívida da Santa Casa de São Paulo supera os R$ 770 milhões, quase o dobro do que os dirigentes da instituição anunciavam antes, de R$ 400 milhões. O montante inclui todos os débitos, incluindo bancários, com folha de pagamento, fornecedores e obrigações previdenciárias. 

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Só os débitos com fornecedores superam R$ 100 milhões. Em julho, quando a direção da Santa Casa fechou as portas do pronto-socorro central por 28 horas, sem qualquer aviso à população, a superintendência da entidade afirmava que o hospital devia a fornecedores algo em torno de R$ 45 milhões. 

A paralisação afetou uma atividade diária de cerca de 1.500 atendimentos nas áreas de clínica geral, pediatria, ortopedia e ginecologia. Segundo resultado de auditoria contratada pelo governo paulista, quando o pronto-socorro foi fechado, a direção do hospital mantinha R$ 6,4 milhões em aplicações financeiras resgatáveis a qualquer momento. 

No mês seguinte, parte do dinheiro foi resgatada para a aquisição de um imóvel no valor de R$ 2 milhões, que se juntaria aos outros mais de 700 que a irmandade já possuía. Embora o montante fosse insuficiente para liquidar toda a dívida alegada na época com fornecedores (cerca de R$ 45 milhões), foi ao receber metade do dinheiro aplicado que a Santa Casa concordou em retomar os atendimentos de urgência e emergência. 

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Na ocasião, o provedor Kalil Rocha Abdalla, chefe da instituição, alegou que o fechamento se devia à crise financeira na entidade, agravada por falta de repasses do governo de São Paulo. "Não temos dinheiro para remédio. Onde preciso comprar 100, só consigo 50. Não tem seringa, soro e esparadrapo", disse ele à época. 

Mesmo rebatendo as acusações, a Secretaria de Estado da Saúde socorreu o hospital com R$ 3 milhões para a reabertura emergencial do pronto-socorro, mas condicionou novos repasses à realização de auditorias. 

A conclusão do trabalho foi apresentada pelo secretário da Saúde, David Uip, aos irmãos e mesários da instituição na manhã desta quinta. Ele mostrou "problemas seríssimos de gestão" que, segundo Uip, impedem inclusive uma ajuda do Estado para o pagamento de salários que estão atrasados. 

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A auditoria também encontrou problemas em praticamente todos os contratos terceirizados, do estacionamento à abastecedora de suprimento, que traziam prejuízos aos cofres da instituição. O resultado também será encaminhado à Promotoria. 

A Superintendência da Santa Casa de São Paulo afirmou que não conseguiu analisar o resultado de todas auditorias e que, por isso, não poderia comentar sobre a época do fechamento do pronto-socorro.

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