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Ex-presos de Guantánamo têm primeiro dia livre no Uruguai

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MONTEVIDÉU, URUGUAI - No primeiro dia efetivamente em liberdade após deixar a prisão de Guantánamo, em Cuba, os seis ex-detentos transferidos para o Uruguai enfrentaram dificuldades com o idioma e hábitos locais, mas gostaram do que viram ao caminhar por Montevidéu pela primeira vez.

"Um deles até se apaixonou' por uma garota bonita, ao passar por ela na rua", brincou Fernando Pereira, coordenador do maior sindicato de trabalhadores do país, o PIT-CNT, que cedeu a casa onde o grupo está morando agora.

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DESPISTAR

Os seis ex-prisioneiros deixaram o Hospital Militar de Montevidéu --onde estavam internados desde que chegaram ao país, no domingo (7)-- por volta das 5h para "despistar os jornalistas", segundo Pereira.

O endereço em que viverão pelos próximos meses vem sendo mantido sob sigilo.

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Cinco deles --com exceção do sírio Jihad Diyab, 43, que fez greve de fome por longo período em Guantánamo e ainda se recupera-- caminharam por cerca de 40 minutos por algumas ruas do centro de Montevidéu e no calçadão à beira do rio da Prata.

Segundo Pereira, os ex-prisioneiros --quatro sírios, um palestino e um tunisiano, com idades entre 32 e 49 anos-- não foram reconhecidos na rua por serem "iguaizinhos aos uruguaios".

Nos últimos dias, o governo lhes comprou roupas novas e todos eles decidiram tirar ou aparar as longas barbas ainda no hospital.
O primeiro dia de adaptação, no entanto, gerou inconvenientes para os dois lados.

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CARNE, ALCORÃO E TV

Depois que alguns dos ex-prisioneiros decidiram cozinhar na casa nova, integrantes do governo e do sindicato tiveram de procurar temperos e um corte de carne bovina específicos --este último só encontrado em um açougue de Montevidéu.

Os anfitriões também precisaram ir atrás de um exemplar do Alcorão e adicionar um canal em árabe na TV por assinatura da casa.

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Os ex-detentos, por sua vez, tiveram que tentar se comunicar em inglês depois que o tradutor de espanhol que os ajudava ficou doente.

"Um deles fala muito bem inglês, então todos eles precisaram de sua ajuda", disse, por telefone, Jerry Cohen, advogado do palestino Mohammed Tahanmatan, 35.

"Todos eles estão muito entusiasmados para aprender espanhol, mas isso acontecerá aos poucos."

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O grupo aproveitou ainda o primeiro dia em liberdade para falar com parentes por telefone.

Todos eles tiveram seu status de refugiado confirmado nos últimos dois dias. Com isso, já podem viver e trabalhar no país.

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