Ex-preso de Guantánamo agradece Uruguai e diz que retribuirá acolhida
SÃO PAULO, SP - Em uma carta, Omar Mahmoud Faraj, um dos seis detentos da prisão da Baía de Guantánamo (Cuba) que chegaram ao Uruguai no domingo (7) como refugiados, agradeceu a acolhida e disse que retribuirá com "boa vontade" e "contribuições positivas", segundo publicou nesta segunda-feira (8) o jornal local "El País".
"Desejo assegurar a todos os uruguaios, incluindo o governo, que teremos só boa vontade e daremos contribuições positivas ao Uruguai, enquanto aprendemos espanhol e refazemos nossas vidas aqui", afirmou Faraj em uma carta enviada ao jornal por seu advogado em Nova York, Ramzi Kasem.
Seis presos --quatro sírios, um tunisiano e um palestino--, considerados de baixo risco pelos EUA, foram transferidos na madrugada de domingo da prisão americana ao Uruguai como parte do programa de fechamento de Guantánamo implementado pelo presidente Barack Obama.
Segundo uma pesquisa de outubro, 58% dos uruguaios rejeitavam a ida dos presidiários. A medida foi um compromisso adotado pelo presidente do Uruguai, José Mujica, em seu último encontro com Obama, em março.
"Tenho certeza de que muitos uruguaios sentem curiosidade em relação a mim e aos outros homens, portanto quero destinar essa carta diretamente ao povo do Uruguai, no espírito de abertura e de amizade que nos mostraram", afirmou o ex-interno de Guantánamo, de origem síria.
Mujica decidiu oferecer a "hospitalidade" de seu país "para seres humanos que sofriam um atroz sequestro em Guantánamo", segundo explicou em uma carta publicada em 5 de dezembro, na qual acrescentava que a razão para a acolhida era "humanitária".
A oposição política uruguaia criticou a iniciativa do presidente, acusado de "comprar um problema" para o país.
Faraj expressou seu desejo de "agradecer pessoalmente" ao presidente por seu "ato nobre de solidariedade" e por "seu compromisso" de tratar ele e os ex-reclusos "como seres humanos plenos, em vez de atuar como outro carcereiro".
O ministro das Relações Exteriores uruguaio, Luis Almagro, afirmou que os ex-prisioneiros "serão homens livres" no país.
"Se não tivesse sido pelo Uruguai, hoje ainda estaria nesse buraco negro em Cuba. Não tenho palavras para expressar o agradecimento que tenho pela confiança imensa que os senhores, o povo uruguaio, deram a mim e a outros prisioneiros ao nos abrir as portas de seu país", escreveu.
Na carta, Faraj relatou suas origens na Síria, sua mudança para o Irã para buscar trabalho e depois para o Afeganistão, sua fuga ao Paquistão, sua detenção e entrega a militares dos EUA e sua prisão Guantánamo, em 2002.
"Durante os últimos 12 anos também fui conhecido como prisioneiro número 329 em Guantánamo. Os EUA me encarceraram em condições cruéis, sem acusações, julgamento ou processo justo. Em 2009, uma equipe do governo, incluindo representantes dos militares, do FBI e da CIA, revisou meu processo e determinou de forma unânime que eu deveria ser libertado de Guantánamo", contou.
