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Justiça do Irã faz acusação formal contra americano preso desde julho

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SÃO PAULO, SP - O jornalista Jason Rezaian, correspondente do "Washington Post" preso no Irã desde 22 de julho, recebeu acusações formais, pela primeira vez, neste sábado (6), de acordo com o jornal.
As acusações, no entanto, não foram reveladas durante a audiência, segundo o "Post". Desde a prisão, a denúncia nunca foi esclarecida. Em meados de agosto, um funcionário do Judiciário disse que a detenção se deve a uma questão vinculada à segurança do país.
A família de Rezaian contratou um advogado que, no entanto, foi impedido de se comunicar com o jornalista.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos reagiu à notícia em comunicado divulgado neste domingo (7), pedindo que o governo iraniano o liberte.
Rezaian, que possui dupla cidadania, iraniana e americana, foi detido com sua mulher, Yeganeh Salehi, também jornalista. Salehi foi libertada em outubro.
Rezaian atua como correspondente do "Post" em Teerã desde 2012.
Na ocasião, também foram presos Reza Mohammady, engenheiro de informática amigo do casal e que estava com eles no momento da prisão, a freelancer Maryam Rahmanian e seu marido -alto funcionário de uma multinacional americana. Eles já foram libertados.
Maryam havia se aproximado recentemente do presidente Hasan Rowhani, centrista com uma agenda relativamente liberal que vem sinalizando maiores liberdades desde que tomou posse, em agosto de 2013.
A manobra é vista em Teerã como uma jogada do poder Judiciário, reduto conservador cujos membros não são eleitos pela população, para atacar Rowhani.
Analistas veem um paralelo entre o atual momento do Irã e o governo reformista do presidente Mohammad Khatami (1997-2005), quando o Judiciário reagiu contra o governo reformista com ataques à imprensa e assassinatos políticos.
As prisões destoam do clima mais leve para o exercício do jornalismo no país desde que Rowhani assumiu. Desde então, a imprensa estrangeira enfrenta menos burocracias e desconfiança.
Fontes próximas ao correspondente do "Post" afirmam que o computador do jornalista estava sendo hackeado pelo regime.

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