Secretário e médicos são suspeitos de fraudar ponto eletrônico no interior de SP
JOSÉ MARQUES
SÃO PAULO, SP - O secretário de Saúde e cinco médicos concursados da Prefeitura de Presidente Prudente (a 558 km de SP) são investigados pelo Ministério Público Estadual sob suspeita de burlarem o sistema de ponto eletrônico biométrico.
Em reunião no fim de 2013, profissionais de saúde gravaram o áudio de reuniões com o secretário em que ele orienta os médicos para atenderem os pacientes marcados para o dia, ir embora e voltar ao final do turno para registrar o ponto.
"Você chega na unidade às 7h, passa o cartão, atende os doentes e vai embora. A hora que você volta, às 11h, você passa o cartão", diz.
A partir dos áudios, a Promotoria afirma ter registrado a rotina de cinco médicos que não cumpriam horário nas unidades de saúde. Alguns chegavam a estacionar em frente ao trabalho, desciam do carro e voltavam ao veículo em seguida.
Segundo o promotor André Tuffy, que assina o inquérito com Mário Coimbra, naqueles dias a folha de presença registrava que eles tinham cumprido o horário na íntegra.
Os nomes dos investigados não podem ser divulgados devido a uma decisão judicial.
O Ministério Público ainda ouvirá a defesa dos citados e não tem prazo para concluir o inquérito.
Tuffy afirma que deve pedir à Justiça que eles sejam acusados de improbidade administrativa e que será aberto um novo inquérito para apurar se os médicos trabalhavam em dois lugares ao mesmo tempo.
Procurado, não quis dar entrevista. À "TV Globo" ele confirmou que a voz gravada era sua e disse que fez as afirmações porque estava "sendo pressionado". "Eu falei isso, mas estava tentando conter uma demissão em massa, uma greve por parte dos médicos", afirmou.
Em nota, a Prefeitura de Presidente Prudente disse que "abriu 8 procedimentos administrativos há 90 dias para apurar casos de médicos que não cumpriram suas jornadas de trabalho" e que aguarda o desfecho do inquérito para tomar providências.
FLAGRANTE NA BAHIA
Em Senhor do Bonfim, no norte da Bahia, o médico José Douglas Bezerra foi preso na quarta-feira (3) após uma fiscalização do Ministério Público do Estado e Polícia Civil descobrir que ele faltou ao trabalho no posto de saúde para atender pacientes em uma clínica particular.
Funcionário concursado da prefeitura, Bezerra também responderá pelo crime de estelionato porque se apresentava como cardiologista, embora fosse clínico geral.
Administrativamente, o médico deve responder por improbidade. Ele foi liberado após pagar fiança.
A prefeitura disse, em nota, que, caso fiquem comprovadas as denúncias, serão aplicadas punições ao profissional.
A reportagem não conseguiu localizar o médico para comentar.
