Promotoria apresenta novas acusações no caso da boate Kiss, no RS
FELIPE BÄCHTOLD
PORTO ALEGRE, RS - O Ministério Público do Rio Grande do Sul apresentou nesta sexta-feira (5) novas acusações contra 39 pessoas suspeitas de irregularidades envolvendo a boate Kiss, em Santa Maria, que pegou fogo em 2013 provocando 242 mortes.
A Promotoria acusa 34 pessoas de crime de falsidade ideológica. Segundo a denúncia, essas pessoas fingiram morar na vizinhança da Kiss e assinaram um abaixo-assinado, feito antes do incêndio, dizendo não ver problemas no funcionamento da boate no local.
Além dos responsáveis pela coleta das assinaturas, foram denunciados também aqueles que sabiam que o requisito para subscrever era ser morador do local e mesmo assim participaram da consulta. Entre os denunciados, estão o sócio e administrador da boate, Elissandro Spohr, o pai dele, Eliseo, e os antigos proprietários da casa noturna, Tiago Mutti e Alexandre Costa.
A pena prevista para o crime de falsidade ideológica vai de um a três anos de prisão. Segundo o Ministério Público, parte dos acusados poderá obter o benefício da suspensão condicional do processo.
Também nesta sexta-feira, o Ministério Público apresentou um aditamento (complemento) à denúncia que já tinha sido encaminhada à Justiça gaúcha em abril de 2013. A Promotoria considerou que, antes do incêndio, "laranjas" tinham sido colocados como sócios da boate e decidiu acusar dez pessoas de falsidade ideológica e uma de falso testemunho.
Além de Elissandro Spohr, são acusados a mãe e a irmã dele e o sócio Mauro Hoffmann. Elissandro e Hoffmann já respondem a outro processo, relativo às 242 mortes ocorridas no incêndio.
O Ministério Público gaúcho também informou que arquivou o inquérito policial que havia indiciado os antigos donos da boate e agentes públicos sob suspeita de crime contra a administração ambiental. Ainda será analisado se um ex-secretário municipal sabia de irregularidades na licença da casa noturna e deixou de tomar providências.
OUTRO LADO
O advogado Jader Marques, que defende a família de Elissandro Spohr, diz que vai aguardar ser informado de maneira oficial sobre as novas acusações para se manifestar. Mas afirma que o Ministério Público mais uma vez não responsabilizou agentes públicos na apuração sobre a tragédia. Ele diz que a Promotoria age de maneira corporativista porque um promotor também deixou de tomar providências sobre a boate antes do incêndio.
A reportagem não conseguiu localizar os advogados dos outros denunciados. A defesa de Mauro Hoffmann afirma desde a época da tragédia que ele era apenas um investidor do estabelecimento e não participava diretamente da administração.
Nesta semana, a empresa proprietária do imóvel onde funcionava a boate começou uma operação de limpeza para retirar do local resíduos e escombros.
