Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--
Geral
publicidade
GERAL

IPTU vira problema para donos de imóveis tombados

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

EMÍLIO SANT´ANNA
SÃO PAULO, SP - Paulo Goya, 63, tem uma conta a fazer. Em oito anos de funcionamento, o Casarão do Belvedere consumiu R$ 700 mil entre reformas e manutenção. Fechado há um ano, R$ 500 mil são necessários para a troca completa do telhado que ameaça cair. Para o IPTU, ele precisa reservar outros R$ 30 mil por ano.
Precisava. Porque, para seu desespero, essa conta vai subir. Tombado pelo patrimônio histórico municipal, o imóvel da família do ator, de 1927, fica em uma das áreas mais valorizadas para o cálculo do reajuste do imposto.
Na última quarta-feira (26), o Tribunal de Justiça liberou a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) para aplicar aumentos no IPTU.
De acordo com anúncio feito pela prefeitura, os percentuais de aumento terão tetos de 15% para imóveis residenciais e de 30% para imóveis comerciais.
Na Bela Vista, bairro da região central da cidade, o aumento médio do IPTU em 2015 será de 12,1%. Caso o cálculo do reajuste seja feito exatamente com esse percentual, lá se vão outros R$ 3.630.
Goya diz que não é contra o reajuste e entende a necessidade de a prefeitura equilibrar a arrecadação. Contudo, contesta a aplicação do imposto em imóveis tombados.
"Isso vai cair na cabeça de quem tem um imóvel tombado em uma área completamente degradada como a Bela Vista e que vai ficar pior com a verticalização", afirma.
Para Regina Monteiro, conselheira do Movimento Defenda São Paulo, é preciso desburocratizar as regras de isenção do imposto e discutir medidas de incentivo fiscal. "Em outros lugares do mundo, os proprietários praticamente 'se matam' para ter o imóvel tombado, tamanhos os benefícios. Aqui é o contrário", diz.
A impossibilidade de o proprietário fazer qualquer mudança no imóvel sem autorização do órgão de patrimônio histórico é um dos problemas, além do custo para a manutenção, aponta Goya.
Ele não sabe ao certo quando o local poderá voltar a receber apresentações artísticas. "Esses R$ 30 mil ajudariam bastante para pelo menos começar a recuperar o telhado e voltar a trabalhar."
INQUILINOS
Na mesma Bela Vista, mas em área bem mais valorizada que o Belvedere, a casa que pertence ao empresário Ronaldo Silva Rego é taxada anualmente em R$ 77 mil.
Construída em estilo colonial português no início do século passado, a família do empresário para lá se mudou após vender outra casa que passou a fazer parte da antiga mansão Matarazzo, na esquina da avenida Paulista.
Tombada desde 2013, a casa ficou vazia por quase um ano à espera de um inquilino disposto a arcar com o aluguel acrescido do valor do IPTU.
Em 2008, foi alugada para empresa que criou ali a Funeral Home, espaço com "atmosfera tranquila" para velórios.
"Graças a Deus estou locando a casa e, segundo o contrato, o IPTU é pago pelo inquilino", diz o empresário. "Mas se ele sair de lá, eu terei que arcar com esse valor."

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email
Adicionar como fonte preferida no Google

Últimas em Geral

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV