Cadeirinhas automotivas são reprovadas em teste de segurança
SÃO PAULO, SP - Nenhuma cadeirinha automotiva para crianças obteve um bom resultado em avaliação de impacto da Proteste (Associação Brasileira do Consumidor). O pior desempenho é no impacto lateral - no Brasil, esse tipo de colisão não é avaliada na certificação do produto.
A entidade submeteu 13 cadeirinhas de nove marcas (destas, apenas dez são vendidas atualmente no país) a testes com bonecos de impacto frontal a 64 km/h e lateral a 28 km/h. Apenas uma teve desempenho considerado aceitável.
As simulações são próximas do real. Segundo a Proteste, foi usado uma estrutura semelhante ao VW Golf. Os produtos testados são voltados a crianças de 0 a 36 quilos.
De modo geral, houve deslocamento e aceleração da cabeça do boneco, carga no pescoço e o tórax foi jogado para a frente. Em impacto lateral, algumas marcas permitiram a colisão lateral da cabeça do boneco com a porta.
"Os testes de impacto lateral têm o pior desempenho nos quatro testes que fizemos desde 2009 e nesse também", diz Dino Lameira, engenheiro e pesquisador da Proteste. "Não há testes de impacto lateral no Brasil e estamos lutando para isso."
As cadeirinhas foram testadas em termos de comparação - e não servem de base para certificação.
Um dos modelos, a Galzerano Orion Master, quebrou na parte traseira no impacto frontal. Na Baby Style Cadeira 7000 e Chicco Xpace, houve deslocamento do boneco no momento da colisão.
Uma presilha da Baby Style, 333, se rompeu no teste. Na Chico Eletta, a cadeira se deslocou muito. O mesmo ocorreu com o modelo Nania Cosmo SP Ferrari.
Os piores resultados, segundo a Proteste, foram apresentados nas Burigotto Touring SE 3030 e Lenox Casulo. Houve colisão forte da cabeça do boneco na lateral da porta.
A Bebe Confort Axiss ofereceu boa proteção na cabeça e teve um desempenho aceitável no teste de colisão lateral - isso, no entanto, ainda está longe do ideal, diz a Proteste. Segundo o estudo, o modelo não apresentou a estabilidade necessária para a completa segurança da criança.
OUTRO LADO
A Galzerano e a Baby Style informaram que não vão se pronunciar sobre os testes.
As assessorias da Artsana Brasil, responsável pela distribuição da marca Chicco no Brasil, da Team Tex, responsável pela Nania, e da Lenox afirmaram que não receberam os resultados oficiais da Proteste.
A Proteste afirmou que enviou pelo correio os resultados na última quarta-feira (19) ao departamento técnico de todas as empresas responsáveis pelas cadeirinhas testadas.
A Burigotto afirmou por meio de nota que seus produtos atendem às exigências do Inmetro e que desconhece os critérios utilizados para a realização dos testes.
SEGURANÇA
A Proteste indica a utilização do sistema isofix, em que um mecanismo permite que a cadeirinha fique presa na própria estrutura do carro. Para isso, entretanto, é preciso que fabricantes de carros instalem o sistema e cadeirinhas tenham ganchos para fixá-las.
"A realidade do mercado é que fabricantes de cadeirinhas e de carros não se conversam", diz Lameira. "Também as que existem no mercado não possuem certificado, já que não há testes."
O Inmetro só passou a fazer testes com o isofix no final de outubro - os fabricantes com o sistema no mercado têm 18 meses a partir dessa data para obter a certificação.
Os testes, entretanto, não excluem a necessidade do uso da cadeira, seja ela qual for, enfatiza a entidade. "Qualquer cadeira é melhor do que nenhuma", diz.
"O problema é que hoje toda a performance e a cadeirinha está no pai e a instalação correta é fundamental para a segurança."
Também foram registradas dificuldades na instalação, principalmente nas cadeiras maiores. "Os pais precisam às vezes subir na cadeira para instalá-la com segurança".
INDICAÇÕES PARA OS PAIS
Para atestar a segurança das cadeirinhas usadas, a Proteste diz que não pode haver folga entre cadeira e banco do carro. O cinto também deve passar pelo ombro da criança e estar bem ajustado.
Outro incentivo é que a criança deve estar voltada para o banco traseiro, até onde seu peso e altura permitir, o que, segundo a entidade é comprovadamente mais seguro.
