Coreia do Sul condena executivos da empresa de naufrágio que matou 304
SÃO PAULO, SP - A Justiça da Coreia do Sul condenou nesta quinta-feira (20) a dez anos de prisão Kim Han-sik, 71, diretor-executivo da Cheonghaejin Marine, empresa proprietária da balsa Sewol, que naufragou em abril deixando 304 mortos.
Além dele, outros executivos da companhia foram condenados à prisão por irregularidades na administração, sonegação fiscal e pagamento de propina para autorizar a reforma da embarcação que afundou.
Segundo os magistrados do tribunal de Gwangju, no sudoeste do país, Kim foi quem deu a permissão para as alterações na balsa, que triplicaram sua capacidade e, na avaliação de peritos, deixaram-na mais instável, levando ao naufrágio.
As investigações revelaram que as mudanças foram liberadas pelas autoridades portuárias mediante pagamento de propina. Além da prisão, ele também terá que pagar multa de 2 milhões de wons (R$ 4.619) por irregularidades administrativas.
Dentre elas, está a transferência ilegal de recursos à família de Yoo Byung-eun, milionário que era o verdadeiro proprietário da empresa. O magnata apareceu morto em circunstâncias suspeitas em julho.
Outros executivos da Cheonghaejin Marine, incluindo dois filhos de Yoo, foram condenados de três a seis anos de prisão pelas irregularidades na administração.
CAPITÃO
No último dia 12, o tribunal de Gwangju havia condenado o capitão da Sewol, Lee Joon-seok, 68, a 36 anos de prisão por homicídio e omissão de socorro. Outros 14 tripulantes também pegaram penas entre cinco e 30 anos de reclusão.
O naufrágio, que provocou comoção no país, aconteceu na noite de 16 de abril, quando a balsa virou enquanto fazia uma manobra brusca no caminho entre o porto de Incheon (a 43 km de Seul) e a ilha turística de Jeju, no extremo sul.
Dos 467 passageiros que estavam a bordo, 304 morreram, sendo que mais de 250 eram adolescentes que haviam saído em uma viagem de férias.
