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Proibir festas e álcool na USP não soluciona problemas, diz professor

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MONIQUE OLIVEIRA
SÃO PAULO, SP - O presidente da comissão de professores que investiga os casos de estupro e abusos ocorridos em festas na Faculdade de Medicina da USP, Milton de Arruda Martins, disse nesta quarta (19) que não defende a proibição de festas e venda de álcool na universidade.
"Proibir a festa ou o álcool resolve o problema da instituição, não do aluno e da sociedade", afirma. "O que vamos fazer é pensar em medidas para que as festas continuem a acontecer em outros moldes."
A declaração veio depois da Faculdade de Medicina da USP anunciar uma política de proibição de festas e consumo de álcool na faculdade.
Segundo Martins, a USP se prepara para ser um modelo de instituição em direitos humanos.
"Queremos ser uma instituição modelo, somos referência para muita coisa e seremos também nisso", diz. "Temos que discutir tudo amplamente, bem como os casos de racismo e de homofobia", afirma.
O professor prestou depoimento na tarde desta quarta-feira em audiência no Ministério Público Estadual. O Ministério Público investiga oito casos de abuso sexual dentro da universidade reportados por testemunhas e vítimas desde setembro.
Segundo o Ministério Público, em nota, o professor apresentou relatório que contém apuração dos fatos e propostas de soluções. Não foram fornecidos detalhes sobre o relatório.
O presidente da comissão disse, entretanto, que as medidas envolvem a criação de um canal direto para denúncias, a proibição do open bar em festas, um remodelamento das festas e um "clima" de conscientização, com a criação do ano de direitos humanos no ano que vem.
Segundo o professor, entretanto, a USP não tem pretende tomar uma atitude proibitiva. "Precisamos desvincular os casos do consumo de álcool e das festas", diz.
Sobre a presença de prostitutas em festas, o professor disse que cuidados serão tomados para que "atos do âmbito privado não aconteça em ambiente público"
INVESTIGAÇÃO
O inquérito no MP foi aberto após uma vítima procurar a instituição em agosto. A promotora de Justiça dos Direitos Humanos, Paula Figueiredo, responsável pela investigação, apura quais medidas a universidade pretende tomar para coibir novos casos e apurar os antigos.
A investigação do MP, no entanto, não tem caráter policial - como promotora de direitos humanos, Paula Figueiredo se limitará a investigar as medidas institucionais, bem como outros casos de homofobia e de racismo relatados.
POLÍCIA
O caso relatado em 2011, sobre o estupro de uma aluna de medicina na festa "Carecas no Bosque" por um funcionário, está na 1º Delegacia da Mulher.
A reportagem apurou que o principal suspeito foi indiciado nesta terça-feira (18), mas que outras duas testemunhas ainda serão ouvidas no caso.
A Delegacia da Mulher informou que não investiga outros casos ocorridos na universidade e que a USP tem colaborado com a investigação.

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