Guerra no Oriente Médio pode afetar calendário da Fórmula 1; entenda
Conflito entre potências regionais trava centros de aviação, mas organização descarta, por ora, alterações na prova de abertura deste fim de semana

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e a administração da Fórmula 1 monitoram de perto a escalada de tensão no Oriente Médio para definir o futuro das etapas programadas para a região. O órgão regulador informou que qualquer decisão sobre os Grandes Prêmios do Bahrein e da Arábia Saudita, previstos para abril, será orientada estritamente por critérios de segurança. A preocupação surge após bombardeios envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no último fim de semana, que resultaram em ataques retaliatórios a Estados do Golfo e na paralisação de importantes centros de aviação mundial.
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Apesar da instabilidade, o presidente-executivo do GP da Austrália, Travis Auld, garantiu que a abertura da temporada, que ocorre neste fim de semana em Melbourne, não será prejudicada. Em entrevista à Fox Sports nesta segunda-feira (2), Auld explicou que, embora o conflito tenha atrapalhado os planos de viagem das equipes que realizaram testes de pré-temporada no Bahrein, a F1 agiu rapidamente para reprogramar os voos. Segundo o executivo, todos os funcionários já possuem passagens confirmadas e devem chegar ao Albert Park dentro dos prazos exigidos.
O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, reforçou em comunicado que a entidade mantém contato contínuo com promotores locais, clubes membros e equipes para avaliar os desdobramentos de forma responsável. O dirigente ressaltou que o bem-estar dos envolvidos guiará as decisões tanto para a Fórmula 1 quanto para o Campeonato Mundial de Endurance. O calendário prevê passagens pela China e pelo Japão em março, antes do retorno ao Golfo em abril, com o encerramento da temporada ocorrendo no Catar e em Abu Dhabi entre novembro e dezembro.
Questionado sobre a possibilidade de Melbourne sediar corridas adicionais caso as etapas do Oriente Médio sejam canceladas, Travis Auld descartou a hipótese devido à natureza temporária do circuito de rua. Ele explicou que a estrutura do Albert Park é desmontada logo após a prova para uso da comunidade, o que impede a manutenção da pista por períodos prolongados. Além disso, a categoria possui uma lista de circuitos alternativos que podem ser acionados em curto prazo, estratégia já utilizada durante a pandemia de covid-19.
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A relevância do Oriente Médio para a Fórmula 1 vai além das taxas de hospedagem multimilionárias, envolvendo laços profundos de propriedade e patrocínio. O fundo soberano do Bahrein é dono da McLaren Racing, enquanto Abu Dhabi controla a divisão de carros esportivos da marca e o Catar possui investimentos significativos na Audi. Somam-se a isso parcerias globais, como a da gigante energética saudita Aramco com a Aston Martin. O histórico da categoria mostra resiliência em cenários de crise: em 2022, o GP da Arábia Saudita foi mantido mesmo após ataques de foguetes a uma instalação petrolífera próxima ao circuito de Jeddah.
