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Botafogo não tem grana para pagar salários, mas recuperação judicial impede rescisão de atletas

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O Botafogo atravessa grave crise financeira e administrativa, acentuada com o afastamento de John Textor do comando da SAF alvinegra. De acordo com o documento enviado à 2ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro solicitando a abertura de uma recuperação judicial, o clube não dispõe de recursos sequer para pagar os salários do elenco do futebol profissional. A medida inclusive tem como um dos objetivos impedir a rescisão unilateral por parte dos jogadores.

A dívida do Botafogo é de aproximadamente R$ 2,6 bilhões. O valor é apontado na petição protocolada na Justiça do Rio, à qual o Estadão teve acesso. Segundo o balanço de dezembro de 2025, a SAF acumulou prejuízos líquidos sucessivos nos últimos três exercícios e apresenta um patrimônio líquido negativo de R$ 427 milhões, indicando que suas dívidas são amplamente maiores que seus ativos.

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Essa situação crítica de caixa levou a diretoria a admitir judicialmente que não possui liquidez para honrar integralmente a folha salarial do próximo mês.

Para proteger a continuidade das atividades, o Botafogo protocolou um pedido de tutela cautelar antecedente a um processo de recuperação judicial. Um dos pontos fundamentais da ação é o pedido para que o Judiciário determine que atletas e fornecedores essenciais não rescindam seus contratos com base no inadimplemento de créditos que serão submetidos ao plano de recuperação.

A Lei Geral do Esporte estabelece que o jogador pode rescindir o contrato se o clube atrasar salários, direito de imagem ou FGTS por período igual ou superior a dois meses. Os advogados do clube argumentam que, com o ajuizamento da medida, o Botafogo fica legalmente impedido de pagar dívidas anteriores, o que cessaria os efeitos da mora salarial previstos na própria legislação.

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Sem dinheiro, o Botafogo encontra dificuldade para renovar o contrato de alguns dos seus principais jogadores. Recentemente, o Palmeiras demonstrou interesse na contratação do zagueiro Alexander Barboza, um dos líderes do elenco. Com a possibilidade de perdê-lo de graça ao fim do ano, os cariocas estariam inclinados a uma negociação já na próxima janela de transferências, em julho, para receber uma compensação financeira.

O Botafogo argumenta que crise financeira foi provocada, em grande parte, por fatores internos do Eagle Football, rede multiclubes de Textor. Sob um sistema de "caixa único" (cash pooling), a SAF alvinegra afirma que realizou transferências que somam 146 milhões de euros para ao Lyon e outros clubes do grupo entre março de 2024 e abril de 2025 - em ações paralelas na Justiça do Rio, a SAF cobra os valores dos franceses e obteve ganho de causa em primeira instância.

Após um conflito societário, esses recursos não retornaram ao clube carioca. Atualmente, a Eagle Football Holdings é administrada por gestores nomeados pela Ares Management, principal credora do grupo e que, segundo o Botafogo, estariam priorizando a capitalização do Lyon e negligenciando a sustentabilidade da SAF alvinegra.

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