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Maria Gadú compôs "Shimbalaiê" aos dez anos

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Maria Gadú  compôs
Autor A cantora Maria Gadú, que disse ter composto "Shimbalaiê" aos 10 anos, em seu apartamento na Lagoa, no Rio - Foto: Folha Press

Maria Gadú tinha dez anos quando, sentada na areia de uma praia em Ilha Grande (RJ), compôs os versos e a melodia de "Shimbalaiê". Em cinco minutos. Voltando para casa, pegou o violão e foi achando os acordes.

É a essa criança e a essa tarde na areia que Gadú, hoje com 24 anos, deve praticamente tudo o que conquistou na vida. E não é pouco.

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Entre o lançamento de seu álbum de estreia, em 2009, e este começo de 2011, a cantora se tornou fenômeno comercial. Emplacou, na sequência, cinco músicas em novelas e minisséries da Globo --emissora que comanda sua gravadora, a Som Livre.

Apareceu cantando na minissérie "Maysa", a convite do diretor Jayme Monjardim. E, desde então, nunca mais parou de tocar no rádio.

Tanta exposição se refletiu em números. O primeiro CD, que lançava "Shimbalaiê", vendeu, segundo a gravadora, cerca de 180 mil cópias. O pacote "Multishow ao Vivo", com CD e DVD, que chegou às lojas no finzinho do ano passado --e também tem "Shimbalaiê"-- já atinge, em seus diversos formatos, os quase 160 mil exemplares.

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O QUERERES

Gadú nasceu em São Paulo, mas se mudou para o Rio há quatro anos. Vive sozinha em um apartamento alugado. De sua janela, vê a Lagoa Rodrigo de Freitas, paisagem nobre da zona sul carioca.

Sua vasta coleção de brinquedos divide o espaço da sala com jogos eletrônicos, CDs, três violões, uma guitarra e Cachaça, o cão pug.

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As portas da casa estão escritas a caneta, de cima a baixo. Na que dá para a cozinha, a letra completa de "O Quereres", de Caetano Veloso.

"Onde queres revólver, sou coqueiro. E, onde queres dinheiro, sou paixão. Onde queres descanso, sou desejo. E, onde sou só desejo, queres não." Gadú tem fixação pela canção. Em janeiro, tatuou toda a primeira estrofe --223 letras-- na perna esquerda.

Caetano está por perto. No final do ano passado, dividiu com ela uma série de shows.

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Um dos encontros foi registrado e vai virar um DVD no segundo semestre. O baiano considera esse trabalho o começo de um processo profissional dele, que vai render outro disco com a BandaCê.

A maior parte das canções que agora fazem sucesso em sua voz foi escrita quando ela tinha menos de 15 anos, sob influência de Marisa Monte. Todos os "laralarilás" de Marisa, portanto, vieram para o début de Gadú.

"Meu disco é uma mistura do universo que a Marisa me apresentou", diz. "Foi por ela que conheci Arnaldo [Antunes], Nando [Reis], Carlinhos Brown, Paulinho da Viola. Ela tem um lugar muito bonito dentro do meu mundo."

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Apesar das semelhanças vocais com Marisa, é de Cássia Eller que o público mais se lembra quando a vê no palco. E, por causa de Cássia, lhe cobra posturas.

"Querem que eu levante a bandeira do 'sou gay'. Não quero. Senão parece que estou menosprezando a outra opção, o hétero. Não dou nome ao que sou, por que que vou falar que viado é do caralho? É do caralho mesmo, mas hétero também é. Além do mais, eu não sei quem vou conhecer amanhã."

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