Em ritual, Estela pede proteção ao filho
Estela (Cleo Pires) faz um ritual noturno, mais uma daquelas impressionantes cerimônias indígenas, e dessa vez por um motivo que evoca o milenar instinto materno: pedir proteção ao filho. Em um círculo desenhado no chão, ela faz uma oferenda aos espíritos anciãos para que eles protejam seu bebê: “Nesse campo sagrado que outrora foi o território milenar do povo karuê... nesse chão onde foi plantada a maldição da nossa gente contra os descendentes da casa das Antônias... Eu, Estrela Karuê, venho pedir proteção... para essa criança que carrego no ventre... “, brada a índia.
Ela rodopia lentamente, segurando a oferenda nas mãos: “Iaru!! Eu invoco o teu espírito e os espíritos de todos os nossos ancestrais para que apareçam... E ouçam a minha súplica!...”, pede Estela, com a voz embargada.
Ela fica olhando ao seu redor e implora: “Apareçam, eu imploro! Não me abandonem... Eu trago no ventre a continuação da nossa gente!”. Estela se ajoelha, pousa a cuia no chão e chora, em desalento.
As súplicas se intensificam: “Não destruam.... eu imploro... essa vida... essa vida inocente que está brotando em mim... Me apontem um caminho, qualquer um, para que essa criança vingue, sobreviva! Só não destruam essa vida que trago em mim... Ela também tem o sangue dos karuês!”. Ela pousa a oferenda no chão e se retrai, colocando-se em posição fetal.
Logo depois dessas palavras intensas, a última descendente dos karuê sente uma forte dor no abdômen, leva as mãos às coxas e percebe a mancha de sangue escorrendo nos dedos.
Desesperada, ela grita: “Não!!!”. Será que Estela vai perder o filho?
