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Em ritmo acelerado, 'Ti-ti-ti' surpreende no gênero pastelão

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Em ritmo acelerado, 'Ti-ti-ti' surpreende no gênero pastelão
Autor Sheron Menezes - Foto: Google - imagem ilustrativa

O remake de Ti-ti-ti tem provado que exagero bem feito pode agradar. E muito. O sucesso de público da novela, que sempre emplaca 30 pontos ou mais de audiência, muito se deve ao talento da autora. Maria Adelaide Amaral tem grande entrosamento com a obra de Cassiano Gabus Mendes, autor da trama em 1985 que inspirou o remake. Além de ter colaborado com vários textos do autor, conquistou grande sucesso reescrevendo Anjo Mau, na década de 90. O sucesso de Ti-ti-ti reflete o clima limpo e inteligente que segue o folhetim. A novela é atual e moderna, mas assisti-la é resgatar a década de 80, mesmo que somente em produção artística e figurino. O bom texto original de Cassiano Gabus Mendes, reescrito por Maria Adelaide Amaral, tem uma positiva interferência da forte direção de Jorge Fernando. Cores e roupas exuberantes se entrelaçam com a marcante direção de personagens.

A rivalidade entre Ariclenes e André, vividos por Murilo Benício e Alexandre Borges, que vêm desde a infância, se torna mais acirrada a cada capítulo. O personagem Jacques Leclair, composto Alexandre Borges é caricato. Se perde entre trejeitos e afirmações que nada convencem, quando entra em cena seus conflitos familiares com os filhos e a esposa. Juliana Alves é satisfatória como Clotilde. Usa e abusa de sarcasmo, dando ares de vilã, sem ser odiada. O contraponto acontece quando Claudia Raia assume a cena. Em alto e bom tom, a Jaqueline agrada e faz rir. Nada cansativa. O mesmo acontece com Murilo. As gargalhadas são inevitáveis.

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No outro lado da história, destaca-se Carolina Oliveira como Gabriela. A moça pobre começa mostrar seu caráter duvidoso. Após ser seduzida pelo filho do patrão, Jacques Leclair, ela vem sofrendo com o desdém de Pedro, personagem de Marco Pigossi. O playboy não se cansa de humilhar a menina. Agora, se espera a virada de jogo. Ela promete fazê-lo passar por muitas humilhações. Mas, como nada é perfeito, as chatices da trama ficam por conta da personagem Marcela, de Isis Valverde. Quem assiste acredita que a moça vive em contradição. Ela foi abandonada e teve a sorte de encontrar um novo amor. Mas resolve sacrificar o sentimento em nome do bem estar da família. Agora, de volta para aquele que a deixou, ela passa por um momento de adaptação em seu novo núcleo e volta a sorrir. O excesso de drama e cenas carregadas de sofrimento no início da novela não são esquecidos, nem mesmo nessa fase de boa maré da personagem. Nessa teia de indecisões, é impossível não questionar pelo final feliz de Edgar, vivido por Caio Castro. Ele, que luta pelo amor da mocinha, tem agora o excesso de choros e lamentações transferidos para o seu personagem.

A impressão é que a novela corre. Perder um capítulo significa deixar de acompanhar fatos relevantes em todos os núcleos. Mesmo com grande elenco, sempre tem história para todo mundo. Atores coadjuvantes como Humberto Carrão, O Luti, por exemplo, ganham espaço no folhetim pela boa interpretação e texto regado de bons diálogos.

Ti-ti-ti - Globo - Segunda a sábado, às 19h.

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