Autor de 'Meu Nome Não é Johnny' é condenado a indenizar personagem
A Justiça do Rio de Janeiro decidiu em segunda instância que o autor de “Meu Nome Não é Johnny”, Guilherme Fiuza, e a editora Record terão que indenizar Walter Luiz Carvalho em R$ 10 mil. Desde 2008, Carvalho move um processo por danos morais e alega que o personagem do filme faz alusão a ele sem autorização.
O livro “Meu Nome Não é Johnny” foi lançado em 2004 e conta a história de João Guilherme Estrella, um jovem de classe média alta que virou um dos maiores traficantes do Rio de Janeiro nos anos 80. No livro, Walter Luiz Carvalho é citado com o nome fictício de Alex, fornecedor de drogas vendidas por Estrella.
O escritor Guilherme Fiuza afirmou que pretende recorrer da decisão da Justiça, quem no ano de 2009 foi favorável a ele. “Nunca neguei que o personagem foi inspirado nele [Carvalho]. Mas quem trouxe à luz essa informação foi o próprio Walter, na época do lançamento do filme”, disse Fiuza.
A obra “Meu Nome Não é Johnny” originou um filme homônimo lançado em 2008 e estrelado pelos atores Selton Mello e Cleo Pires.
Guilherme Fiuza revelou que tentou conversar com Walter Luiz Carvalho enquanto escrevia o livro. “Ele cumpria pena em um presídio e o acesso era muito difícil. Como as notícias sobre sua detenção foram amplamente divulgadas pela imprensa, me baseei nos jornais para descrever o personagem. Também conversei com pessoas que conviveram bastante com o Carvalho. E ainda assim optei por não mencionar sua verdadeira identidade no livro. Quem atraiu publicidade para si foi o próprio Carvalho ao cometer um delito que virou notícia de interesse público”, explicou o autor.
O desembargador Camilo Ribeiro Rulière, relator do processo, alegou que mesmo com a alteração do nome do personagem, isso não impediu a ofensa à privacidade de Carvalho. "Não obstante o interesse social e a referência pedagógica da obra intelectual em foco, a mesma se destinou a exploração comercial e econômica e, ao que parece, só se preocupou com o consentimento do personagem principal, não abrangendo a autorização para mencionar episódios envolvendo outras pessoas cujas vidas foram narradas, mesmo que parcialmente, e identificadas”, afirmou o desembargador.
