Passione vai terminar sem protagonista
Caiu como uma bomba hoje a notícia de que Totó (Tony Ramos) será mesmo assassinado por Clara, em “Passione”. Não bastasse resolver matar a mocinha da trama no próximo dia 18, dia em que Diana (Carolina Dieckmann) morre no parto, Silvio de Abreu fará com que o plano de Clara (Mariana Xinenes) e Diogo (Daniel Boaventura) funcione. Quando simularem um falso assalto ao apartamento do filho de Bete Gouveia (Fernanda Montenegro), a vilã descarregará seu revólver no italiano, que cairá morto, com um tiro no coração.
Mais esta morte – a quarta em dois meses – mais do que aumentar o suspense da trama, mostra que o autor está ousando de uma maneira nunca vista. Afinal, que dramaturgo mata seus protagonistas? No caso de Diana, é verdade, não houve lá muita empatia por parte dos espectadores, mas a decisão de limar Totó da história surpreende. Afinal, é por causa da paixão louca dele por Clara que a novela tem esse nome. Obviamente, alguns podem ter a impressão de que Silvio de Abreu perdeu um pouco do rumo. E até concordo, em partes. Se há falta de rumo, no entanto, ela me deixa curioso pelo que ocorrerá nos capítulos seguintes ao assassinato.
Fico me perguntando, portanto, como pode uma novela sobreviver sem seus dois protagonistas. Sim, porque vamos combinar: embora Mauro (Rodrigo Lombardi) seja o par romântico de Diana, o personagem não emplacou tanto. E outra: ele ficará sem par romântico. Apesar de ter roubado a cena no começo da trama, Melina (Mayana Moura) já não poderia terminar com o executivo. Afinal, que homem perdoaria a mulher que propôs que seu filho fosse abortado e fez sua esposa de gato e sapato? A herdeira dos Gouveia já mostrou sinais de desequilíbrio que, para mim, não dão grandes chances de redenção amorosa ao lado de Mauro. Sendo assim, “Passione” deve se tornar uma novela cujos vilões são os grandes protagonistas. Não dá para esperar outra coisa que não a continuidade do foco da história em Clara, Fred (Reynaldo Gianecchini), Diogo e Melina. Mauro sobra nessa história. Final feliz mesmo, pelo visto, só para os coadjuvantes.
