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Brasil espera acordos específicos para o clima

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Após o fracasso de um grande acordo climático na COP 15 (15ª Conferência das Partes da Convenção da Organização das Nações Unidas para Mudança do Clima), realizada no ano passado em Copenhague, na Dinamarca, o Brasil espera agora avançar em acordos específicos na COP 16, que será realizada na próxima semana em Cancun, no México.

Durante o evento, os países vão tentar chegar a um novo acordo que substitua o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012. Esse protocolo, criado em 1997 e que começou a vigorar em 2005, estabelecia que os países desenvolvidos 37 países industrializados e a União Europeia se comprometessem a reduzir em 5,2% as emissões de gases causadores do efeito estufa, considerados os responsáveis pelo aquecimento global, tomando por base o que foi emitido em 1990.

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Kyoto é importante por ser o primeiro passo para um compromisso global de corte de emissões. O acordo previa metas para reduzir as emissões de países desenvolvidos, mas poupava os em desenvolvimento, como o Brasil, o que reduziu muito os seus efeitos. Além disso, os Estados Unidos não assinaram o protocolo, tornando-o um tanto ineficaz.

A ministra do meio ambiente, Izabella Teixeira, disse que, apesar de os países não terem chegado a um acordo em Copenhague, quando houve uma tentativa sobre o assunto, o clima é positivo e que, portanto, espera avanços nas negociações.

- Posso assegurar que nós do Brasil estamos indo com essa expectativa [de fechar acordos específicos]. Fizemos um trabalho duro neste ano e temos boas expectativas de fechar um pacote de medidas que se desdobram de Copenhague e permitem, se aprovados em Cancun, um avanço na direção de um acordo legalmente vinculante [que seria obrigatório]. O tema clima é complexo, e Copenhague nos revelou isso.

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A intenção do governo brasileiro em Cancun é ‘cobrar’ comprometimento dos os outros países para que se possa avançar nos acordos, diz a ministra.

- A postura de cobrança é uma postura pacificadora, mostrar que nós temos resultados. O Brasil está fazendo o seu dever de casa, colocando em prática medidas compulsórias levadas a Copenhague. É muito difícil numa negociação você impor o seu ponto de vista se você estiver devendo. E nós estamos avançando, então podemos cobrar avanços, pois estamos numa posição confortável. Estamos em posição política melhor, de protagonismo na negociação.

A ministra disse ainda que o governo mexicano tem colaborado para criar um clima de acolhimento e bom entre os países.

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- O governo mexicano teve a postura de acolher os países e possibilitar o diálogo, respeitando diferenças regionais, para construir uma pauta que possibilite resultados nessa etapa. Vou confiante, mas precisamos ser pragmáticos.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, o entendimento é que os países desenvolvidos precisam reduzir até 2010 entre 20% e 40% das emissões de gases causadores do efeito estufa em relação a 1990. Se isso ocorrer, o aumento da temperatura mundial será de 2ºC até 2020.

Caso os países não cessem as emissões, o aumento da temperatura pode ser maior.

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- Esse é o entendimento da ciência e é por ele que os balizamos. Uma revisão será feita em 2015, mas por ora nossa posição é essa.

Os Estados Unidos são o segundo maior poluidor do mundo, atrás apenas da China. A proposta dos Estados Unidos é de reduzir as emissões em 14% em relação a 2005, o que é considerado muito pouco pelos outros países.

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