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Crescimento da população terá impacto no clima
Autor A tendência é que a população envelheça e se urbanize, e que se concentre em grupos menores - Foto: Getty Images

O mundo provavelmente estará bem mais lotado até 2100, e as mudanças demográficas dessa população - quantos indivíduos a mais, com que idade e os locais onde vivem - irão afetar as emissões de gases do efeito estufa, segundo pesquisadores.

Desacelerar o crescimento populacional é algo que poderia ter um profundo efeito nas emissões de poluentes pelo uso de combustíveis fósseis, o que é um fator importante para o aquecimento global, mas só isso não evitará os impactos mais graves da mudança climática, de acordo com o estudo.

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Há muito tempo os cientistas ligam o crescimento populacional às emissões de gases do efeito estufa, mas até agora eles não haviam estudado os efeitos das mudanças demográficas que devem acompanhar o aumento populacional.

A tendência para esse século é que a população envelheça e se urbanize, e que se concentre em grupos menores - em vez das grandes famílias -, conforme o estudo de pesquisadores dos Estados Unidos, Alemanha e Áustria, publicado na revista científica Proceedings, da Academia Nacional de Ciências dos EUA.

Os pesquisadores consideraram três cenários: numa continuação da atual tendência, o mundo ganharia 2 bilhões de habitantes até 2050; com um crescimento mais lento, a população mundial aumentaria em 1 bilhão de pessoas; se o ritmo se acelerar, podem ser 3 bilhões de indivíduos adicionais, ou seja, a população mundial saltaria de 6 para 9 bilhões de pessoas.

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Um crescimento mais lento poderia reduzir as emissões entre 16% a 29% do total necessário para evitar que a temperatura global tenha um aumento catastrófico, segundo os cientistas.

O envelhecimento populacional, com a consequente redução da mão de obra, poderia reduzir as emissões em até 20% em alguns países industrializados.

Em resumo, mais gente significa mais uso de combustíveis fósseis, e mais emissões de gases do efeito estufa. Mas quem vive em áreas rurais nos países industrializados usa mais biomassa como combustível, em vez de combustíveis fósseis (como carvão e petróleo), segundo Brian O'Neill, do Centro Nacional para a Pesquisa Atmosférica dos EUA, um dos autores do estudo.

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Por isso, a urbanização da população deve elevar também o uso de combustíveis fósseis, especialmente nos países em desenvolvimento. Mesmo que a população urbana reduza sua participação sobre a emissão de carbono - vivendo em espaços menores, usando mais o transporte público e menos combustível fóssil por pessoa -, o êxodo rural deve causar uma elevação nas emissões de gases do efeito estufa.

O'Neill explica que outro efeito da urbanização é que os trabalhadores das cidades tendem a contribuir mais com o crescimento econômico do que os rurais.

- Isso não é porque eles trabalhem com mais empenho ou mais horas. É porque eles estão em setores econômicos que geram mais crescimento econômico.

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Como resultado, a economia de um país inteiro cresce com a urbanização, e a demanda por energia também cresce, puxando consigo as emissões em até 25% no caso de alguns países em desenvolvimento.

Para O'Neill, a urbanização deve causar uma maior demanda energética especialmente na Ásia.

- Acho possível... que estejamos subestimando as potenciais taxas de crescimento na demanda energética em regiões do mundo que podem se urbanizar muito rapidamente nos próximos 20 a 30 anos.

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