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'Nowhere Boy', a juventude rock'n'roll de John Lennon

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Na sua forma mais óbvia, o título de Nowhere Boy, um melodrama lindamente fotografado sobre um período tumultuado da adolescência de John Lennon, é uma referência à sua música Nowhere Man, incluída na obra-prima dos Beatles de 1965 Rubber Soul, que apontava para novos horizontes ("Foi nosso disco de partida", disse Ringo Starr), que tem uma letra digna de Samuel Beckett ("Ele é um verdadeiro homem de lugar nenhum/Sentado em sua terra de lugar nenhum") e uma forte melancolia. A música é muitas vezes vista como autobiográfica e o título tem sido usado para descrever tanto Lennon quanto seu assassino, Mark David Chapman.

Lennon faria 70 anos no sábado, o que explica em parte o lançamento de Nowhere Boy, quando não a sua existência. Dirigido por Sam Taylor-Wood, o filme começa com um John de 15 anos (o atraente Aaron Johnson), alegremente correndo em um corredor vazio antes de sair do quadro e acordar na cama de sua casa em Liverpool. Esse visual seria óbvio se Taylor-Wood perdesse muito tempo com ele. Mas ela se move através de metáforas e materialidade de forma eficiente, com rápidos esboços da vida familiar de John, com suas alegrias e desafios. Um simples olhar para sua tia Mimi (Kristin Scott Thomas), com sua despedida rápida e lábios franzidos e você sabe as dores de um garoto sem um ombro para encostar.

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Esse ombro surge logo no filme, ligado à figura sugestivamente trêmula da mãe de John, Julia (Anne-Marie Duff). Na maior parte de sua vida, John foi criado por sua tia Mimi e pelo amado tio George (David Threlfall), um homem dado a grandes sorrisos e ruídos engraçados. Mas depois de uma morte traumática na família, John procura Julia, que dá início a um relacionamento emocionalmente instável e erótico que o perturba, provoca, repele e inspira. "Você sabe o que é rock'n'roll", Julia pergunta em um de seus passeios. O quê?, pergunta o filho, de olhos arregalados. "Sexo", sorri Julia, mexendo os quadris e balançando a cabeça.

O melhor e mais ousado movimento do filme é como ele traz o amor e desejo sexual para o jogo com as ambições juvenis. Com Mimi, sem sorrisos, rondando a casa onde John mora, Julia divide seu amor pela música com o filho, um amor que adquire uma carga erótica complexa na sequência que começa com mãe e filho ouvindo Screamin' Jay Hawkins cantando I Put a Spell on You. O filme corta para um close de uma das mãos de John, os dedos movendo-se com o ritmo, e então para uma cena antes de ele ter relações sexuais com uma colega de escola, um interlúdio prazeroso que Taylor-Wood pontua com a imagem dele sendo castigado por uma infração na escola.

É uma sequência muito bem construída, sugestiva, mas sugestiva de quê? Que John associa relações sexuais com punição? Que o amadurecimento dos colegiais britânicos realmente é difícil e eles irão crescer mesmo com o chicote? O roteiro de Matt Greenhalgh, baseado em um livro de memórias de uma meia-irmã de John, Julia Baird (a personagem é a filha mais velha de Julia), não responde, o que seria ótimo se tivesse algo interessante a dizer. É um prazer ver John assistindo Elvis em um noticiário, formar o Quarrymen e fazer média com um garoto magricela com uma inegável habilidade na guitarra chamado Paul (Thomas Sangster Brodie).

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