Uma Noite em 67 bate recorde nos cinemas
A novidade é muito gratificante para quem curte cinema de uma maneira ampla. Afinal, constatar que o gênero documentário, de alguma forma, está se firmando por aqui é muito bom.
De acordo com a assessoria de imprensa, Uma Noite em 67, dos diretores Renato Terra e Ricardo Calil, ultrapassou a marca dos 75 mil espectadores e já é o documentário brasileiro mais visto dos últimos cinco anos, superando a marca de Vinicius, de 2005.
Se você ainda não viu, a produção continua em cartaz e relembra a final do polêmico Festival da Record, que tinha entre seus participantes os jovens Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Roberto Carlos, Edu Lobo e Sérgio Ricardo, entre outros. Das músicas apresentadas, pérolas da MPB como “Roda Viva”, “Ponteio”, “Alegria, Alegria” e “Domingo no Parque”.
Para se ter uma ideia de como anda o segmento documentário no Brasil, em 2009, Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Eu Dei liderou o ano atrair mais de 71 mil espectadores. Contudo, estes números são significativos, mas ainda pequenos. E entre os entraves para esta evolução continuar, o circuito de salas e o massacre "financeiro" dos lançamentos americanos são dois "vilões" constantes.
O primeiro, inclusive, foi assunto bastante debatido no recente 8º Congresso Brasileiro de Cinema e Audiovisual, ocorrido em Porto Alegre. O aumento do número de salas é uma preocupação dos produtores brasileiros que temem ver este aumento significar somente mais espaço para Hollywood no Brasil. E o temor não é sem sentido.
Urge a criação de mecanismos inteligentes (sem delírios xenófobos) de defesa do cinema nacional porque é vital para o mercado. Mas é importante também que os "fazedores" entendam que ser exibidor é ter um negócio. Ninguém pode se manter sem ter retorno financeiro e para isso o produto final precisa ser atraente. Exigir, simplesmente, que "alguém" (Governo) tenha que pagar não parece justo. Não adianta querer impor cinema para poucos e faturar como muitos. Rapadura é doce, mas não é mole não.
