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Retorno de MinC é uma vitória da classe artística, diz Paula Lavigne

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RIO DE JANEIRO, RJ, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A recriação do Ministério da Cultura pode significar um ponto de partida para reverter a oposição de parte da classe artística mobilizada nas últimas semanas contra o governo do presidente interino Michel Temer.
"O MinC não pertence a nenhum governo para ser 'tirado' ou 'colocado' a qualquer momento. Pertence ao Estado e ao povo brasileiro. Foi forte a pressão, conseguimos a volta do Ministério da Cultura, agora precisamos mostrar o nosso valor. Precisamos reconstruir a imagem da cultura", disse a produtora Paula Lavigne, também presidente da Associação Procure Saber, movimento que conta com a participação de artistas como Gilberto Gil, Chico Buarque e Caetano Veloso. "A recriação do MinC é uma vitória. Como o Caetano disse: 'O MinC é uma conquista do Estado brasileiro, não é de nenhum governo'".
Ela ressaltou que a classe artística é responsável por empregos diretos e indiretos e contribui para o desenvolvimento do país.
"Somos um setor importante da economia que também está sofrendo com a crise. A indústria criativa não pode ser tratada como coisa de 'vagabundos mamadores de teta'. Ninguém pode viver sem arte. Não somos 'vagabundos', somos artistas, produtores e trabalhadores dignos, como qualquer outra profissão", acrescentou Paula Lavigne.
O produtor cultural Eduardo Barata considerou esta uma vitória da classe artística. "Acabar com o ministério foi muito simbólico. O MinC não é só Lei Rouanet, é patrimônio histórico, é nação. É o espaço para formação de políticas públicas", disse Barata, que elogiou a escolha de Marcelo Calero para a função. "Ele expandiu a cultura pela cidade, em vez de mantê-la restrita aos bairros da zona sul. É um cara aberto ao diálogo."
O ator José de Abreu celebrou pelo Twitter: "Ganhamos a primeira batalha. O adversário demonstra fraqueza. Vamos continuar a guerra até a vitória final."
Para José Celso Martinez Corrêa, diretor do Teatro Oficina, que organizou na última terça-feira (17) um protesto contra a extinção da pasta, "[o presidente interino Michel Temer] não ouviu direito a voz dos que ocuparam pelo Brasil todo várias instituições do MinC, as assembleias, as manifestações. O recado a ele foi: 'Fora, Temer. O MinC é nosso'. Nem 'O MinC é nosso' ele ouviu, porque ele continua nomeando aquela pessoa [Marcelo Caleiro] que ninguém sabe quem é. Esse governo está enterrando a nova República".
"Na rua, nas assembleias, está explodindo uma coisa maravilhosa, retornou aquela maravilha de 1968, de as pessoas se falarem, reinventarem tudo. Daqui para frente vai continuar o movimento 'Fora, Temer', principalmente na área da cultura, que está vivíssima, que está acordada e não vai aceitar o ministério de um regime ilegítimo", disse o encenador.

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