TNOnline

Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--

Entretenimento

publicidade
ENTRETENIMENTO

Com tema saturado no país, 'Narcos' recebe acolhida pálida na Colômbia

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

SAMY ADGHIRNI, ENVIADO ESPECIAL
BOGOTÁ, COLÔMBIA (FOLHAPRESS) - Num sábado recente, a funcionária pública colombiana Paula López, 37, se esparramou no sofá de casa e começou a assistir à série "Narcos". A experiência, porém, não passou de alguns minutos.
"Deu preguiça ver de novo essa temática relacionada ao que vivenciamos até os anos 1990. E quando apareceu um Pablo Escobar falando com falso sotaque colombiano, aí desliguei e fui fazer outra coisa", diz Paula, numa referência à fala do brasileiro Wagner Moura no papel do lendário narcotraficante.
O sentimento de Paula ecoa a pálida acolhida que "Narcos" obteve na Colômbia, conforme a reportagem observou numa recente estadia de dez dias em Bogotá.
Dois fatores parecem explicar o malogro:
O primeiro é uma espécie de saturação ambiente -que ficou clara em conversas com dezenas de colombianos de diferentes idades e meios sociais- com o tema dos cartéis da droga retratados na série.
O segundo é a baixa penetração do Netflix, único suporte de divulgação da produção. A empresa se recusa a divulgar índices de penetração por país, mas é palpável a baixa notoriedade do serviço comparado com o Brasil.
Pouquíssimas vezes os interlocutores consultados pelo repórter sabiam o que era "Narcos."
Na maior parte dos casos, as pessoas pensavam que a pergunta se referia a "Escobar, El Patrón del Mal", novela nacional divulgada em 2012 com boa aceitação do público e da crítica, mas que parece ter esgotado o que restava do interesse local pelo tema.
Entre aqueles que viram "Narcos", muitos dizem ter sentido algum incômodo, apesar de elogios quase unânimes à qualidade técnica da produção.
"É uma série feita e financiada por americanos, e isso se reflete numa narrativa que mostra os gringos como os únicos inteligentes e bons, enquanto os colombianos são corruptos e maus. Isso me doeu", diz Camila Loboguerrero, conhecida diretora e roteirista.
Fã de séries, o telefonista Francisco Pérez, 33, tampouco se deixou conquistar: "É uma narrativa voltada para o público estrangeiro. Para mim, que sou colombiano e sei o que foram aqueles anos, não cola".
Pepe Sánchez, veterano diretor de séries e novelas locais, atribuiu a pouca receptividade à resistência dos colombianos a ver o tema tratado por estrangeiros. "Pablo Escobar é um patrimônio sacralizado para muita gente. E quando se toca num ícone, surge o incômodo", afirma.
Além do sotaque de Wagner Moura, causa desconforto o fato de muitos dos atores nativos em castelhano terem pronúncia claramente não-colombiana. "Não consigo entrar na história quando vejo a mãe de Pablo Escobar falando com sotaque do Chile", diz Loboguerrero, numa referência à atriz chilena Paulína Garcia.
ELOGIOS
Nada disso foi suficiente para afetar a opinião da escritora e colunista Carolina Sanín, admiradora declarada de "Narcos."
"Wagner Moura é um ator consciente que fez uma grande descoberta dramática ao imaginar um Escobar com essa mistura de irremediável melancolia e insensibilidade cortante", afirma Sanín.
Ela qualifica de "brilhante" a mistura de acentos e diz que isso reflete a falta de territorialidade da droga e do contrabando. "É uma obra para TV que questiona, algo que, no caso da Colômbia, é novidade."

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email
Adicionar como fonte preferida no Google

Últimas em Entretenimento

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV