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Difícil é continuar escrevendo sem estar escrevende, diz Daniel Galera

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LUCAS NEVES
PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) - Para o escritor gaúcho Daniel Galera, 35, de "Barba Ensopada de Sangue" e "Até o Dia em que o Cão Morreu" (Companhia das Letras), um autor não pode desligar a mente da criação nunca, tem de se haver com as letras "24 horas por dia, mesmo quando vai ao médico, passeia com o cachorro ou fica gripado e não quer escrever".
"Quando estou de fato preparando um livro, trabalho nele todos os dias de manhã, três ou quatro horas. Mas, se você considera a minha vida de escritor desde o começo, para cada mês de disciplina, tem três ou quatro sem. O difícil é continuar escrevendo sem estar escrevendo. Levei tempo para aprender o quão importantes são os meses sem disciplina", disse ele, na mesa do Salão do Livro de Paris em que debateu, com a colega Nélida Piñon, 77, a literatura como projeto de vida.
O encontro aconteceu na noite de sexta-feira (20), num pavilhão brasileiro com bom público, mas não lotado. O país é o homenageado dessa edição da feira, que segue até segunda-feira (23).
A autora de "A Doce Canção de Caetana" e "O Livro das Horas" (Record), imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), também comentou seu método de trabalho, tributário de uma fixação pelo texto burilado:
"Escrevo muito. [Só] Vejo meu texto acabado depois de cinco, seis, sete versões. [...] É uma loucura. Tenho tendência a pequenas obsessões. Acho que vou morrer, então preciso acabar. Mas não é fácil, exige muito. Sabe o que eu digo? Que a literatura é para os fortes".
Piñon lembrou que desde a infância se sentia "indomável diante do desafio de escrever", buscando em cenários comezinhos como uma pensão de cidade pequena em que desejava ser deixada pelos pais ou mesmo o toalete de casa "lugares sagrados" para se dedicar à pena.
Ela falou ainda do que acredita ser uma "tentação espetacular" que ronda a escrita literária: a do desnudamento metafórico diante do leitor.
"Eu ando com essa tentação, que vou controlar", afirmou, rindo. "Desnudar-me não seria uma lisura moral. Porque vou continuar sendo uma construtora [de realidade]. Sou uma artista, uma escritora. Nunca vou dizer uma verdade, porque a verdade para mim é relativa."

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