Filme do japonês Takashi Miike é o primeiro a ser vaiado em Cannes
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CANNES, FRANÇA, 20 de maio (Folhapress) - O diretor japonês Takashi Miike ("Ichi The Killer", "13 Assassinos") adora chocar o público com cenas sangrentas. Mas seu novo filme, "Wara No Tate" ("Escudo de Palha"), exibido hoje em Cannes, tornou-se o primeiro longa da competição vaiado na edição 2013 do festival não pela violência, e sim pela qualidade.
O épico policial filmado no Japão e em Taiwan é uma espécie de versão oriental de filmes como "Os Indomáveis" (2007) ou "O Preço de um Resgate" (1996), mesmo sendo baseado no livro de Kazuhiro Kiuchi: um bilionário oferece US$ 10 milhões para quem matar o assassino de sua neta, sob custódia da polícia -que precisa transportar o criminoso de uma cidade ao norte para Tóquio.
Apesar do Japão ser um país minúsculo, Miike transforma a viagem do interior para a capital em uma jornada impossível de ser comprada. Começa pelo mecânico que sabota um avião para matar o assassino (e todo mundo a bordo?), passa por um mendigo que ameaça matar uma menina para esfaquear o matador de meninas (!?) e termina nas decisões da própria polícia, que oficializa a execução.
O cineasta poderia ter diminuído o desconforto das impossibilidades com cenas de ação de tirar o fôlego, mas a única que existe em grande escala é no início da perseguição, quando um caminhão de nitroglicerina explode perto do ônibus da polícia que leva o assassino -neste momento, a imprensa presente à primeira sessão da produção em Cannes aplaudiu com entusiasmo.
Daí para o fim, o filma cai assustadoramente e os defeitos ficam mais claros: os policiais são estereótipos (um perdeu a mulher em caso parecido, já sua parceira é uma mulher durona em busca de promoção) e a trama nunca pensa nas consequências dos atos dos personagens em busca de assassinar o criminoso. Afinal, o que adianta ficar rico dentro de uma prisão?