Sidney Magal fala sobre seu personagem em Happy Feet 2

Entrou em cartaz nesta sexta-feira (25) Happy Feet 2: O Pinguim, continuação do filme vencedor do Oscar de Melhor Animação lançado em 2006. Neste novo longa-metragem em 3D da Warner Bros. Pictures, o pinguim Mano tem um filhinho com Gloria, sua antiga paixão, chamado Erik.
O desafio de Mano é ensinar o pequeno pinguim a enfrentar os obstáculos da vida, enquanto a natureza passa por mudanças catastróficas que colocam em risco a vida dos animais.
Além de Mano (dublado por Daniel de Oliveira), o personagem Amoroso também está de volta neste filme. Em entrevista ao R7, Sidney Magal, responsável pela voz do querido pinguim, fala extasiado sobre seu papel em um filme infantil e comenta a importância de animações como essa para a infância.
- A atitude dos pinguins no filme representa o que esperamos das próprias crianças.
Abaixo, leia a íntegra do bate-papo com o cantor, famoso pela música Sandra Rosa Madalena.
R7 – Como surgiu o convite para dublar o personagem Amoroso no primeiro filme, ainda em 2006?
Sidney Magal – Aconteceu de uma maneira interessante e muito engraçada. Eu nunca tinha feito dublagem e me convidaram, primeiramente, para fazer a voz do personagem Ramón [Guilherme Briggs], que tem um sotaque latino e vive atrás das mulheres. No primeiro filme, Ramón interpretava My Way, de Frank Sinatra, fazendo movimentos parecidos com os quais eu faço quando canto Sandra Rosa Madalena. Logo, pensaram em me convidar para a dublagem, porém, não autorizaram fazermos a versão das músicas em português, pois eram canções de grande sucesso.
Assim, a interpretação de My Way, que seria o ponto alto do personagem, ia ser perdida. Então, surgiu o convite para a voz do Amoroso, que é um bicho diferente dos demais. Ele é engraçado, o guru e charlatãozinho da turma. Perguntaram se eu concordava e eu disse “Claro, mesmo que seja um iceberg eu quero dublar”. Entrei no estúdio com um dublador profissional, que ajudou tanto a mim quanto ao Daniel, e foi muito rápido. Eu nunca pensei em dublar, mas amei ser convidado. Quando rolou o segundo filme, depois de cinco anos, eu achei que não iam mais me chamar. Mas, quando estavam finalizando-o nos Estados Unidos, logo vieram perguntar se eu estava disponível e, desta vez, o Amoroso canta uma música inteira.
R7 – Qual foi a inspiração para criar a voz que daria ao Amoroso?
Magal - Eu sabia que não podia ser a minha voz normal, pois ela é muito identificável. Por ele ser gordinho, tive a ideia de fazer algo mais brincalhão e sensual, mas mantendo o cuidado para não forçar muito a garganta. Eu tive muita liberdade para escolher a voz que eu quisesse. Atualmente, dublar não é uma coisa muito difícil, pois tem o sincronismo que é feito pelo computador. Se você, de repente, perde o movimento da boca, ou do bico, dá para o computador ajustar. Não é um bicho de sete cabeças.
R7 – Se você pudesse escolher, que tipo de personagem gostaria de dublar em uma próxima animação?
Magal - Eu gostaria de ter feito a Fera de A Bela e a Fera por essa mudança dele para um homem normal. Mas não tenho preferência. Eu faria qualquer um dos animais do Madagascar, por exemplo. A Warner prometeu que vai me chamar para fazer outras dublagens.
R7 – Quais desenhos animados você assistia na sua infância? Ainda vê alguns?
Magal - Eu e minha mulher colecionamos os clássicos da Disney, como A Bela Adormecida, Pinóquio, Bambi, entre outros. Eles sempre me encantaram muito principalmente pelas trilhas sonoras que são lindíssimas e emocionantes. Na infância, eu tive vários desenhos favoritos, mas, infelizmente, não consigo lembrar o nome deles. Eu sei descrevê-los, mas já faz muitos anos e ninguém lembra mais deles.
R7 – Happy Feet 2 trata da questão do aquecimento global e sua ameaça à natureza. Você é engajado quanto ao assunto? Acha que as crianças vão entender essas questões ao assistirem ao filme?
Magal - Na pré-estreia, eu e Daniel falamos ao público que os pais não devem chamar a atenção dos filhos só para a beleza do desenho, pois o Erik e o Mano são pinguins fofos que todo mundo quer pegar no colo, mas para a questão tratada também. As cenas de degelo, inclusive, são bem fortes, com um som muito alto, que assusta as crianças, mas você deixa claro que isso é exatamente o que temos que evitar que aconteça no futuro. A atitude dos pinguins representa o que esperamos das próprias crianças. “Façam a cabeça dos seus filhos para que eles vivam um mundo melhor”.
Eu não me dedico a nenhuma ONG, mas o Greenpeace, por exemplo, me chamou para fazer um trabalho, que acabou não acontecendo, mas iríamos para Abrolhos, na Bahia, fazer uma campanha com relação ao acasalamento das baleias jubartes. Ia ser muito legal e eu até me ofereci para fazer gratuitamente, mas eu estou sempre à disposição de convites quando a finalidade é boa.
R7 – A série Happy Feet foi sua primeira experiência com dublagem, mas você já fez aparições no cinema, sendo o último trabalho em Jean Charles (2009). Você foi convidado para algum novo projeto?
Magal - Não tem nada gravado ainda, mas eu fui convidado para fazer uma participação no novo filme do Dedé Santana, que ele está rodando aos poucos. Eu teria que ir a Camboriú para gravar, mas foi adiado e não sei quando vai se concretizar. Propuseram-me outro filme, mas não está confirmado nem tem título, pois ainda estão atrás de apoio e verba. No caso, eu seria o protagonista. É a história de uma família interiorana que tem um pôster do Sidney Magal em casa e uma das pessoas venera o cantor. Já o pai da família, acha isso uma babaquice, mas sempre que olha para o pôster sente que o Magal fala e dá conselhos a ele. É um filme que representa a relação dos fãs com os ídolos, baseado no sucesso e no nome do Sidney Magal.
