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Selton Mello amadurece como diretor em 'O palhaço'

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Selton Mello amadurece como diretor em 'O palhaço'
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É possível enxergar Fellini num filme que beira o onírico, pisca para o bizarro, mas se encerra no realismo. E até Wes Anderson - especialmente seus Tenenbaums (o clã de "Os excêntricos Tenenbaums") - numa família de gente estranha, cada um com seus talentos e incompreensões. Mas esses e outros diálogos vêm de quem assiste ao filme, pois Selton fez um longa que tem vida própria.

Aqui, ele está em jornada tripla. Além de dirigir, atua e é responsável pelo roteiro, escrito em parceria com Marcelo Vindicatto. E, para aqueles que acusam Selton de repetir-se no cinema - uma espécie de personagem de si mesmo -, "O palhaço" é a prova de seu talento. Dirigindo a si mesmo, o ator é capaz de se reinventar num personagem que foge de qualquer coisa que já o vimos fazer antes.

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Isso se dá especialmente porque ele tem ao seu lado o grande Paulo José num personagem daqueles maiores que a vida, que ameaça tomar o filme para si. Mas o diretor encontra o equilíbrio e é gratificante assistir a dupla em ação.

Paulo e Selton são pai e filho e também uma dupla de palhaços, com nomes artísticos de Puro Sangue e Pangaré. O rapaz, cujo nome de batismo é Benjamim, nunca conheceu uma vida fora do circo. Ser palhaço, pensa ele, não foi sua escolha, foi uma consequência da vida.

Por isso mesmo, quando surge uma rebeldia adolescente tardia ele quer cair no mundo. Descobrir o que há além da tenda do circo é descobrir a si mesmo, mergulhar nas oportunidades, correr riscos e chegar às conquistas. Porque até então a vida de Benjamin não lhe pertencia.

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Para qualquer personagem, seja no cinema ou na literatura, obter sua independência é uma viagem, que pode ganhar tons metafóricos. Em "O palhaço", o protagonista cai no mundo em busca de um ventilador e um amor. Desculpas bobas, porque o que ele quer mesmo é encontrar sozinho sua identidade. Fazer essa viagem é abrir mão do velho para abraçar o novo. O palhaço perde o circo para ganhar o mundo.

Personagens estranhos cruzam o caminho de Benjamim. Eles são a prova de que de perto, ninguém é normal. Eles também são a oportunidade que Selton encontrou para resgatar e homenagear ídolos de sua infância. Entram em cena o ex-garoto-propaganda Ferrugem, como o atendente de uma prefeitura; o eterno Zé Bonitinho, Jorge Loredo; e Moacyr Franco, cujo personagem domina sua única cena de tal forma que o ator (estreante) saiu do Festival de Paulínia com o prêmio de melhor coadjuvante, em julho passado. O filme saiu do Festival com prêmios de roteiro, figurino e direção.

É possível até fazer um paralelo entre Selton e Benjamim. Selton precisou se tornar diretor para se reinventar como ator - fazendo muito bem as duas funções. Benjamim precisa sair do centro do picadeiro para descobrir o seu verdadeiro lugar. Numa jornada, o ponto de partida é tão importante quanto o de chegada.

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(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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