TNOnline

Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--

Economia

publicidade
ECONOMIA

Veja como vai funcionar o FGCE, aposta do governo para elevar nível de exportação do Brasil

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

O governo federal aposta em uma reforma estrutural ampla no sistema de garantias à exportação, por meio do Fundo Garantidor de Crédito à Exportação (FGCE), para elevar o patamar de competitividade das empresas brasileiras no comércio exterior. Embora a medida tenha sido apresentada como resposta ao "tarifaço" anunciado pelos Estados Unidos, a equipe econômica afirma que o objetivo é mais amplo, de modernizar o suporte às exportações e incentivar a busca por novos mercados, além de reduzir o risco aos cofres da União.

O detalhamento foi feito nesta quarta, 13, pela equipe econômica, durante a apresentação do pacote de medidas anunciado para dar suporte às empresas afetadas pelas tarifas mais altas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump. A ideia é modernizar o sistema de exportação com instrumentos que protegem o exportador contra riscos como inadimplência ou cancelamento de contratos, segundo o Ministério da Fazenda.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, anuncie no TNOnline.

Em entrevista coletiva, o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, explicou que a medida reduz o risco de impacto primário da União. Atualmente, 100% do risco das operações fica concentrado no Fundo de Garantia à Exportação (FGE) e, em caso de sinistro, a União arca integralmente com o custo, registrado como despesa primária. Com a reforma, segundo Ceron, o FGCE funcionará como uma espécie de "camada" para absorver pequenas perdas. Nesse modelo, o fundo vai absorvendo sinistros menores ao longo do tempo, financiados com o próprio prêmio recebido, mantendo o ciclo de operação sem que cada ocorrência gere impacto fiscal integral imediato.

"Com essa medida transfiro boa parte do risco para FGCE, e só em caso muito extremo, se tiver acionamento de sinistro elevado, que aí teria risco residual de ter impacto primário para União, mas ainda assim com previsibilidade, programando para a peça orçamentária do exercício seguinte. Hoje, se acontecer um sinistro, a gente tem que ir no bimestral correr para suportar esse sinistro", explicou.

Ceron afirmou que a reforma terá viés pró-mercado, com ampla parceria público-privada. A operacionalização do FGCE, segundo ele, trará mais flexibilidade ao seguro de crédito à exportação, viabilizando a atuação conjunta com instituições financeiras para ampliar a capilaridade e facilitar o acesso das empresas a instrumentos de apoio.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ele comparou o novo modelo à lógica do mercado de seguros, em que uma seguradora reúne diversas operações em uma carteira e, para não concentrar todo o risco no próprio balanço, repassa parte dele a outras seguradoras, que passam a dividir tanto o prêmio quanto a responsabilidade em caso de sinistro.

"Aqui a gente vai permitir a mesma coisa. É interesse das seguradoras compartilhar. Camada do risco fica com fundo, e uma camada fica com a seguradora. Assim compartilha mais risco e com isso consegue alavancar e desenvolver melhor este mercado", explicou.

Micro e pequenas empresas

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo ele, o novo modelo, por meio do FGCE, vai beneficiar especialmente micro, pequenas e médias empresas, além daquelas com ciclos produtivos curtos, ao permitir que a garantia das operações de exportação seja concedida por carteira, e não mais analisada individualmente a cada operação. Hoje, cada exportação que conta com seguro passa por avaliação caso a caso, o que eleva o custo de transação e reduz a celeridade, tornando o sistema de seguros praticamente acessível apenas a operações de longo prazo e a grandes companhias.

"Isso muda completamente o custo de transação e o tempo de análise de aprovações. Para micro e pequenas empresas, muda completamente as condições", disse Ceron. Ele citou que, no Brasil, o volume das exportações feitas por micro e pequenas empresas soma menos de 1% do total, enquanto na Itália essa participação chega a cerca de 30%.

No caso do seguro e do financiamento às exportações, o secretário apontou que, no FGE, micro e pequenas empresas também participam de menos de 1% das operações. Em países como Índia e Coreia do Sul, quase 40% do que é destinado ao seguro de crédito à exportação vai para companhias desse porte. "O Brasil tem infraestrutura financeira de suporte às exportações que não colabora com a inserção das menores empresas", afirmou.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O governo também vai propor uma mudança regulatória no prazo mínimo das operações amparadas pelo FGE, hoje restrito a créditos acima de dois anos - regra que acaba excluindo pautas como exportação de perecíveis e de manufaturados de menor densidade tecnológica, segmentos nos quais predominam micro, pequenas e médias empresas.

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email

Últimas em Economia

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV