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Taxas médias e longas caem com perspectiva de mais negociações entre EUA e Irã

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À exceção dos vértices curtos, todos os vencimentos da curva de juros futuros inverteram a alta observada até a primeira etapa da sessão e passaram a recuar ao longo da tarde, embalados pelas declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, que reacenderam o otimismo sobre as negociações entre Washington e Teerã. Trump declarou que o Irã entrou em contato mais cedo nesta segunda-feira, 13, com os EUA, com muito interesse em alcançar um consenso. As taxas mais curtas, por sua vez, reduziram o fôlego mas seguiram em viés de alta, pressionadas pela desancoragem das expectativas inflacionárias.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 oscilou de 14,06% no ajuste anterior para 14,1%. O DI para janeiro de 2029 caiu a 13,315%, vindo de 13,368% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 cedeu de 13,427% para 13,35%.

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Depois do fracasso das negociações entre Washington e Teerã no final de semana, Trump relatou que o Irã entrou em contato com os EUA nesta manhã, e que o país estaria "muito interessado" em alcançar um acordo.

Ainda que sem resposta oficial do governo iraniano, os comentários do republicano aliviaram instantaneamente os ativos de risco, com destaque para o dólar, que furou o piso psicológico de R$ 5,00. Todos os vértices intermediários e longos da curva a termo viraram para o campo negativo em seguida, renovando mínimas intradia. As taxas mais curtas, que subiram pela manhã também devido à deterioração das expectativas inflacionárias, resistiram no terreno positivo, oscilando entre estabilidade e viés de alta.

O petróleo arrefeceu ganhos com as novas sinalizações de Trump e encerrou a sessão pouco abaixo de US$ 100 o barril no caso do Brent (+4,36%), que serve de referência para a Petrobras. Após as tratativas entre EUA e Irã em Islamabad, capital do Paquistão, não terem sido bem-sucedidas, Trump ameaçou nesta manhã fechar totalmente o estreito de Ormuz e anunciou que todos os portos iranianos estão bloqueados, o que manteve as cotações da commodity energética sob pressão.

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Com o Irã aparentemente mais aberto ao diálogo e perspectivas de conversas ao longo da semana entre os dois lados do conflito, o mercado acalmou os nervos, com esperança renovada de que haja um acordo relacionado ao estreito para conter a disparada do petróleo, diz Luciano Rostagno, economista-chefe da EPS Investimentos.

Rostagno observa, porém, que a melhora do humor nos mercados veio basicamente das falas de Trump e de notícias sobre uma possível nova tentativa de negociações entre Washington e Teerã esta semana, também no Paquistão. "Mas ainda é difícil ler a estratégia iraniana. Não sabemos quem está dialogando", ressalvou.

Por aqui, a inflação oficial de março, que superou o teto das estimativas ao avançar 0,88%, provocou uma rodada de revisões para cima nas estimativas para a alta do IPCA deste ano e, em menor grau, do próximo. No boletim de Focus desta segunda-feira, a projeção para o IPCA de 2026 saltou de 4,36% a 4,71%, agora superando, portanto, o teto da meta inflacionária, de 4,5%. A previsão para 2027 aumentou pela terceira semana consecutiva, a 3,91%.

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A Warren Investimentos passou a esperar alta de 4,8% para o índice deste ano, de 4,5% anteriormente. Em nota, a Warren apontou que o desvio ante sua projeção foi concentrado em alimentos mais sensíveis aos efeitos da guerra no Oriente Médio. A piora no IPCA, porém, não decorreu somente do impacto do conflito, "mas também de uma deterioração já observada desde fevereiro".

"Com as expectativas desancoradas, os DIs curtos estão ainda resistindo a uma queda. O espaço para o Banco Central cortar juros vai ficando reduzido", avalia Rostagno, da EPS. Em seu cenário, a Selic terminará o ano em 12,5%, mas o economista pondera que o quadro é ainda bastante incerto e que, se o conflito se prolongar, a tendência é que a inflação teste o limite superior da meta.

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