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Taxas ignoram tensão maior no Oriente Médio e recuam com CPI abaixo do previsto

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Os juros futuros negociados na B3 terminaram a sessão desta terça-feira, 14, em forte baixa, influenciados principalmente pelo dado de inflação ao consumidor abaixo do esperado nos Estados Unidos. Ao mostrar recuo maior do que o previsto em junho, o CPI derrubou a curva de Treasuries e enfraqueceu o dólar, levando a reboque o mercado local de renda fixa, apesar da nova escalada de tensões no Oriente Médio que pressionou as cotações do petróleo.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) de janeiro de 2027 cedeu de 13,947% no ajuste da véspera a mínima intradia de 13,895%. O DI para janeiro de 2029 encerrou negociado na mínima intradia de 14,02%, vindo de 14,195%. O DI para janeiro de 2031 diminuiu de 14,363% a 14,215%.

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Publicado na abertura dos negócios, o CPI caiu 0,4% em junho ante maio. A expectativa do mercado era de deflação menor, de 0,1%. Já o dado anual avançou 3,5% no período, frente estimativa de 3,8% do Projeções Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado). Após a divulgação, o mercado reduziu as apostas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) aumentará os juros nas próximas reuniões: a probabilidade de alta de 25 pontos-base na reunião de setembro saiu de 73% para cerca de 60%. As chances de manutenção da taxa na faixa de 3,50% a 3,75%, por sua vez, subiram de 27,0% para 40%.

Especialista em Investimentos da Nomad, Bruno Shahini afirma que o CPI descomprimiu a curva de DIs por meio de dois canais de transmissão: a baixa nos retornos dos Treasuries, que chegaram a devolver cerca de 4 pontos-base à tarde no vencimento de 10 anos, e a depreciação do dólar, que fechou com queda de 1,06% ante o real, cotado a R$ 5,0778. "O dólar voltando para a casa de R$ 5,07 dá um alívio maior nos nossos juros", disse.

Shahini observa que, em julho, o mercado local de renda fixa mostrou correlação maior com a curva dos títulos soberanos dos EUA, o que ele também credita à volta ao radar da guerra no Oriente Médio, dado que a volatilidade nos preços do petróleo, com o barril do Brent avançando para o nível de US$ 80 novamente, foi um vetor de pressão para os juros dos Treasuries. Dada a assimetria das incertezas e o cenário de escalada do confronto, que traz efeitos de segunda ordem à inflação, o especialista avalia que ainda é cedo para prever uma trajetória menos conservadora para os juros nos EUA. Em sua visão, a precificação da curva americana de juros tem "muito ruído".

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Para Stephen Brown, economista-chefe para América do Norte da Capital Economics, o boom de investimentos em IA e sinais de retomada da demanda do consumidor continuarão mantendo a inflação subjacente, ou seja, que exclui itens voláteis, acima da meta nos EUA. A consultoria britânica segue com o call de que o Comitê de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) do Fed deve elevar os juros mais adiante neste ano.

Por aqui, a precificação da curva futura apontava no fim desta tarde 94% de probabilidade de corte de 25 pontos da Selic em agosto, ante 6% de possibilidade de manutenção nos atuais 14,25%. Para setembro, há 9 pontos totais de corte, número que estava em 6 pontos no início da tarde. Os cálculos são de Luciano Rostagno, economista-chefe da EPS Investimentos.

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