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Taxas de juros encerram sem direção única, digerindo Fed e à espera do Copom

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Sob um jogo de forças entre o recado mais duro do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Kevin Warsh, após a decisão do BC dos EUA de elevar os juros em 0,25 ponto porcentual, e um cenário doméstico menos atribulado e com perspectiva de continuidade do ciclo de baixa da Selic, ao mesmo tempo em que o petróleo firmou queda ao redor de 3% no exterior, os juros futuros médios e longos reduziram prêmios nesta superquarta. A ponta curta, por sua vez, fechou praticamente estável, com a perspectiva de redução de 0,25 ponto do juro básico pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central no período da noite bem precificada.

Os vencimentos médios e longos chegaram a reduzir bastante o ritmo de baixa após a coletiva de Warsh, que trouxe declarações assertivas sobre o desconforto com a inflação e a resiliência da maior economia do mundo, mas voltaram a cair cerca de 10 pontos mais perto do fim da sessão. As taxas para janeiro de 2027 e 2028, por sua vez, ensaiaram alta um pouco mais firme em reação às falas do comandante do BC americano, mas encerraram o dia praticamente estáveis, de olho na decisão da quarta do Copom.

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Terminados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 oscilou de 13,579%, no ajuste da véspera, a 13,580%. O DI para janeiro de 2028 caiu a 13,625%, de 13,654%. O DI para janeiro de 2029 cedeu a 13,865%, vindo de 13,923% no ajuste, e o DI para janeiro de 2031 anotou baixa de 14,201% a 14,070%.

Em coletiva de imprensa, o presidente do Fed seguiu a tendência de comunicações anteriores e adotou postura mais conservadora, ainda que tenha mantido a posição de não dar 'forward guidance'. O comandante do Fed se mostrou preocupado com a inflação e comprometido com a meta de 2%.

Segundo agentes, não houve uma frase em específico que tenha chamado a atenção, mas o tom geral, avaliando que a economia americana segue forte e destacando que a inflação está fora do alvo central há mais de cinco anos, reforça expectativas de que o ciclo de aperto monetário deve prosseguir.

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Sem novas notícias sobre o imbróglio no Supremo Tribunal Federal (STF), pesquisas eleitorais e o caso Master, o quadro político ficou em segundo plano nesta quarta, e o mercado local de renda fixa oscilou em boa parte dos negócios ao sabor da curva de Treasuries. Os retornos dos títulos americanos anotaram queda firme até o início da tarde, na esteira do alívio nas cotações do petróleo, mas as taxas de 2 e 10 anos migraram para o terreno positivo durante a coletiva de Warsh.

Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o desempenho do mercado local de renda fixa acabou mais relacionado à perspectiva de queda de juros no Brasil. "Aqui, a economia tem dado sinais de desaceleração na margem e os últimos dados de inflação vieram melhores do que o previsto, corroborando a visão de que haverá queda dos juros", disse.

"Para mim, o motor da queda é mais a precificação da queda dos juros, e o petróleo caindo influencia também de forma indireta. Os riscos geopolíticos e políticos afetam a aversão ao risco, mas os ruídos ficaram um pouco para trás", observou Sung.

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Lá fora, a ênfase dada pelo presidente do Fed ao mandato de inflação e a descrição de uma economia sólida que suporta uma alta de juros levaram as taxas das Treasuries a um novo salto, chegando a subir 12 pontos-base para o prazo de 2 anos em relação ao nível visto antes da decisão do BC dos EUA, observa o estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren Investimentos, Luis Felipe Vital.

Antes mesmo da coletiva de Warsh, a estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, destacou que o voto unânime dos membros do Comitê de Mercado Aberto (FOMC, em inglês) foi um sinal relevante, e positivo para a credibilidade da instituição em meio a ruídos sobre a possibilidade de Warsh em si divergir por pressão política. Esta foi a primeira elevação dos juros nos EUA desde 2023.

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