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Taxas de juros caem com temor de efeito da guerra na economia mundial e falas de Galípolo

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Conforme o confronto no Oriente Médio se estende e o barril de petróleo permanece acima de US$ 100, o impacto negativo do conflito sobre o crescimento econômico mundial começa a despertar receio de um cenário alternativo, que pode resultar em uma recessão. Com as análises colocando agora nos preços uma política monetária menos restritiva, a despeito do efeito inflacionário de curto prazo do choque, a curva de juros americana teve fechamento expressivo nesta segunda-feira, 30, conferindo alívio também ao mercado local de renda fixa.

Por aqui, além do ambiente externo, declarações do presidente do Banco Central Gabriel Galípolo contribuíram para a queda das taxas futuras, sobretudo nos vértices mais curtos. Durante evento do J.Safra, pela manhã, Galípolo indicou que, mesmo diante de "novos fatos" no quadro global, o processo de calibragem da Selic terá continuidade.

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No fechamento, a taxa do DI para janeiro de 2027 caiu de 14,37% no ajuste de sexta-feira a 14,285%. O DI para janeiro de 2029 cedeu a 14,025%, de 14,109%. O DI para janeiro de 2031 recuou de 14,16% a 14,095%.

"O mercado passa a dar mais atenção à possibilidade de que o efeito da guerra sobre a atividade será relevante, além do efeito na inflação", afirma Felipe Sichel, economista-chefe da Porto Asset.

Segundo ferramenta de monitoramento do CME Group, o mercado continua esperando que a taxa de juros nos Estados Unidos fique inalterada este ano, mas antecipou a previsão do próximo corte, de dezembro de 2027 para setembro de 2027. Perto das 15h30 (de Brasília), a probabilidade de o Fed cortar juros em algum nível em setembro do próximo ano era de 55,9%.

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"Chegamos a observar probabilidade de elevação de juros nos EUA para este ano, e agora observamos que os juros devem ficar parados, com retomada dos cortes ao longo do ano que vem", menciona Sichel.

Ao participar de evento na Universidade Harvard, o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, reiterou que a pressão nos preços de energia recomenda cautela na condução dos juros, mas destacou que o choque atual deve ser analisado como derivado de oferta, ou seja, sobre o qual a política monetária tem efeito limitado no curto prazo.

Como episódios deste tipo costumam ser transitórios, disse Powell, a tendência é que o Fed "olhe através" de choques de energia. Para o economista-chefe da Porto Asset, dado que não é possível combater o efeito primário do choque sobre os preços, a melhor coisa a fazer pelo Fed neste caso, e considerando que as expectativas inflacionárias estejam bem ancoradas, é "ficar parado".

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No âmbito doméstico, a expectativa é que o Banco Central continue a reduzir a Selic, mas o ritmo e o orçamento total dos cortes vão depender da evolução do cenário externo. Mais cedo, Galípolo reiterou que a "gordura" acumulada no juro básico, em nível elevado, abriu espaço para o início do ciclo de cortes. E a avaliação do BC, de acordo com ele, é que o processo deve continuar, mesmo diante de "novos fatos".

Em Carta do Gestor antecipada à Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, a Kinea Investimentos informa que segue com posições aplicadas em moeda e juros locais, ou seja, que apostam na queda das taxas, ainda que o espaço para diminuir a Selic tenha ficado menor. "Entendemos que, caso o cenário geopolítico estabilize e o preço do petróleo encontre algum equilíbrio, o Banco Central deverá seguir adiante com o plano gradual de redução da taxa de juros", diz a gestora.

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