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Taxas de juros caem com alívio geopolítico, cancelamento do leilão e espera por ata

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Os juros futuros fecharam a segunda-feira, 22, em queda, refletindo principalmente a distensão geopolítica vinda do Oriente Médio, o cancelamento do leilão de NTN-B e, em alguma medida, a expectativa de que a ata do Copom amanhã esclareça a confusão gerada pelo comunicado.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 estava em 14,215%, de 14,257% no ajuste de sexta-feira. A do DI para janeiro de 2028 caía de 14,816% para 14,680% e a do DI para janeiro de 2029 cedia a 14,755%, de 14,940%. O DI para janeiro de 2031 projetava taxa de 14,685% (de 14,898%).

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Ao contrário da semana passada, nesta segunda a curva perdeu um pouco de inclinação, com a ponta longa, sobretudo a partir de 2030, cedendo em ritmo mais forte, refletindo a melhora do apetite pelo risco no exterior, que jogou para baixo os preços do petróleo.

Após a assinatura do memorando de entendimento que estabeleceu prazo de 60 dias para um acordo definitivo, neste fim de semana as negociações entre Estados Unidos e Irã avançaram. Ambos teriam concordado com a criação de um mecanismo para garantir o encerramento das operações militares no Líbano e, ao mesmo tempo, o Teerã aceitaria inspeções em seu programa nuclear.

"O mais importante não é nem a melhora do conflito em si, mas a perspectiva de fluidez do petróleo, algo que estava pegando muito no mercado de juros por conta da inflação. É preciso deixar o petróleo fluir livremente no canal de Ormuz", afirma o diretor de Investimentos da Azimut Wealth Management, Marco Mecchi.

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Outro fator importante para estancar a sangria vista nas últimas sessões foi o cancelamento do leilão de NTN-B. "Mostra que o Tesouro não está querendo chancelar esse nível de taxas reais de juros por muito tempo", comentou o diretor, que, alinhado à percepção de outros profissionais do mercado, viu como positiva a decisão do Tesouro.

Por fim, o mercado também parece ter se ajustado à espera de que a ata explique de forma didática a opção pelo corte da Selic para 14,25%. Boa parte dos agentes considerou que a decisão de antecipar a rolagem do horizonte relevante da política monetária para o primeiro trimestre de 2018 não foi um argumento convincente para justificar a queda e ainda deixou a porta aberta para outras reduções.

"O mercado espera que Banco Central explique o que ele quis dizer no comunicado, que vai mudar o tom da comunicação", afirma Mecchi, acrescentando que a conduta do BC desde o início da gestão Gabriel Galípolo "sempre foi muito boa". "Sempre conseguiram se comunicar bem e tomar decisões corretas. Então, não tem motivo para eles não continuarem nessa toada", observou.

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O head de Alocação e sócio da Nexgen Capital, Luiz Carlos Corrêa, viu o movimento da curva desta segunda como um alívio pontual e pouco expressivo, diante do nível de inclinação da semana passada, quando o mercado estressou com o Copom e o Federal Reserve (Fed), e que, diz, ainda geram preocupação. "A curva abriu muito e hoje está praticamente fechando nada. Mercado tem que entender mais o que vai acontecer à frente para ter algum movimento de fechamento firme. Temos de esperar as cenas dos próximos capítulos ", diz, referindo-se não somente à ata de terça, mas também à divulgação do Relatório de Política Monetária (RPM), na quinta-feira.

As taxas locais operaram na contramão dos rendimentos dos Treasuries, que abriram, ainda na esteira da mensagem hawkish do Fed, e apesar do aumento da desancoragem das expectativas de inflação trazida pelo Boletim Focus.

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