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Quadro eleitoral e piora do câmbio puxam taxas de juros para cima

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Os juros futuros fecharam o dia em alta, num movimento de correção após os últimos dias de alívio nos prêmios de risco, puxada por fatores domésticos. No exterior, a terça-feira, 16, foi de queda firme do petróleo e nos rendimentos dos Treasuries, mas as taxas locais não acompanharam. Trouxeram desconforto aos agentes pesquisas eleitorais negativas para o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP), além da piora do câmbio.

No fechamento, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 tinha taxa de 14,255%, estável ante o ajuste de segunda, enquanto o DI para janeiro de 2028 projetava taxa de 14,420%, ante 14,355% no ajuste também de segunda. A taxa do DI para janeiro de 2029 estava em 14,405% (de 14,329%) e a do DI para janeiro de 2031 passava de 14,251% para 14,285%.

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Ao longo da primeira etapa, o recuo do petróleo, o varejo fraco e o IGP-10 perto do piso das estimativas mantinham as taxas em queda. A trajetória ascendente começou a tomar corpo no fim da manhã, por volta das 11h, após a divulgação da pesquisa CNT/MDA, segundo a qual o presidente Lula ampliou a vantagem ante o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, considerado o principal nome da direita. Num eventual segundo turno, Lula, com 49,3% das intenções de voto, venceria Flávio, que aparece com 36,8%. No levantamento de abril, esses porcentuais era de 45% e 40%.

"A pesquisa CNT indicou o presidente Lula abrindo ainda mais vantagem em relação a Flávio Bolsonaro. A continuidade do governo Lula implica deterioração das contas públicas", explicou Gean Lima, gestor de portfólio da Connex Capital. "O dólar também subiu próximo a R$ 5,10 piorando o quadro para inflação", completou.

A pesquisa CNT/MDA se somou a dois outros levantamentos divulgados mais cedo que também indicaram cenário difícil para Flávio. A pesquisa Futura/Apex trouxe Lula com 48,1%, e o pré-candidato do PL com 42,9% em eventual segundo turno. Já a RealTime Big Data apontou o senador com 47% e Lula com 44%, em quadro tecnicamente empatado.

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O estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren, Luis Felipe Vital, considera o movimento das taxas desta terça como um ajuste, que teve como argumento o quadro eleitoral. "A pesquisa (CNT/MDA) não mostra uma mudança grande em relação a outras que a gente vinha vendo. Está mais para continuidade daquele movimento que é, talvez, um cenário de eleição de Lula se fortalecendo versus um cenário de Flávio Bolsonaro", afirma.

Vital lembra que a questão fiscal, que está embutida na leitura das pesquisa, vinha sendo destaque nas últimas semanas, com a votação das "pautas-bomba" no Congresso e mais medidas do governo, mas o ambiente externo estava muito pesado e se sobressaía. Agora, com a perspectiva de fim de guerra e abertura do Estreito de Ormuz, deve haver uma redução na pressão inflacionária que pode ajudar no alívio da política monetária. O petróleo caiu mais de 5%, com o tipo Brent fechando abaixo dos US$ 80 pela primeira vez desde março. "O BC vai ter um mercado menos pressionado para decidir", afirma, sobre o Copom de amanhã.

A aposta de corte de 25 pontos-base na Selic nesta quarta-feira segue predominante com as opções digitais na B3 mostrando 84% de probabilidade, contra 16% de chance de manutenção em 14,50%. Os indicadores da manhã, de certo modo, dão conforto. As vendas no comércio recuaram 1,5% em abril na margem, pelo conceito restrito, perto do piso das estimativas (-1,6%). No ampliado, o recuo de 0,7% foi maior do que apontava o piso (-0,6%). Ao mesmo tempo, o IGP-10 de junho caiu 0,30%, perto do piso das expectativas (-0,35%).

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