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ONU: tarifas devem pesar sobre bens e desacelerar comércio global a 2,2% em 2026

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A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que o comércio global cresceu 3,8% em 2025, uma aceleração comparado aos 3,5% registrados em 2024, segundo relatório Situação e Perspectivas da Economia Mundial de 2026, divulgado nesta quinta-feira, 8. Contudo, a entidade estima uma desaceleração a 2,2% neste ano, em decorrência de efeitos atrasados das tarifas dos Estados Unidos.

"A performance melhor que a esperada no ano passado reflete a resiliência do comércio de mercadorias, que continuou a se fortalecer apesar das incertezas e ventos contrários", avalia a ONU. O volume do comércio de bens aumentou 3,3% na comparação anual de 2025, com crescimento de 20% no segmento de inteligência artificial (IA) somente no primeiro semestre.

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A entidade cita as tarifas dos EUA e problemas no sistema multilateral do comércio como os principais fatores de pressão em 2025. Segundo a ONU, a taxa efetiva de tarifas dos EUA subiu de 2,5% em 2024 para 15% em novembro de 2025, com alíquotas que variam significativamente para parceiros com acordos comerciais e a depender das tarifas setoriais, sujeitas a investigações - como os bens incluídos na Seção 232.

Para este ano, a redução nas importações feitas para mitigar efeitos de tarifas e as alíquotas elevadas devem pesar na atividade econômica, estima o relatório, que vê riscos em possível escalada nas tensões comerciais e medidas de retaliação. Por outro lado, revisão de acordos comerciais e menor tensão global podem favorecer o comércio, conforme as cadeias de oferta se ajustam.

Mesmo com tarifas, protecionismo e ambiente de incertezas elevadas, a economia global continua "notavelmente integrada" e o comércio representa mais de 50% do PIB, o que, para a ONU, reforça a interdependência entre os países. "As normas do multilateralismo seguem resilientes em meio a crescente fragmentação, sugerindo que os motores centrais da integração global ainda operam apesar das tarifas dos EUA remontarem os padrões do comércio", frisa.

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Além de mercadorias, o comércio de serviços se manteve sólido e cresceu 5,3% em 2025, apoiado por serviços de viagem e digital, com projeção de leve arrefecimento a 5% em 2026.

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