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Nos juros, DIs médios e longos sobem com risco institucional via STF e alta do petróleo

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O desconforto com a possibilidade de uma crise institucional severa continuou adicionando prêmio de risco no mercado de juros futuros na tarde desta terça-feira, 15, marcada pela histórica sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que decide se vai investigar ou arquivar o caso envolvendo a relação suspeita entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, que era do Banco Master.

Contudo, o movimento de inclinação da curva também teve respaldo da aversão a risco internacional, conforme o barril de petróleo Brent se aproxima do nível de US$ 110 por barril. O movimento recende preocupações inflacionárias e turbina os rendimentos dos Treasuries, que já precificam mais de 90% de chance de alta das taxa dos Fed funds amanhã.

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Na véspera da superquarta, a curva doméstica mostra 96% de chance de que a taxa Selic seja reduzida dos 14% ao ano para 13,75% em setembro. A estimativa já está disseminada há semanas, o que justifica o vértice curto do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) mais resistente, amparado também pelas vendas do comércio varejista no piso das estimativas, em queda de 0,8% em julho ante junho.

Para novembro, as taxas dos DI apontam 52% de chance de outro corte de 0,25 ponto porcentual (contra 48% de manutenção). Para dezembro, há 84% de chance de manutenção, contra 16% de redução de 0,25 p.p, calcula o economista-chefe do Banco BMG, Flávio Serrano.

A taxa de DI para janeiro de 2027 fechou em 13,580%, perto do ajuste anterior de 13,585%. Já o DI para janeiro de 2029 avançou para 13,940%, de 13,867%, e o para janeiro de 2031 subiu a 14,230%, de 14,108% no ajuste de segunda-feira.

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"O protagonista na abertura dos juros é a espécie de crise institucional no STF que, para a atividade econômica, é muito importante. Nesse ambiente de insegurança, o mercado financeiro captura essa incerteza e transforma em algum prêmio", comenta o head de renda fixa da Suno Research, Guilherme Almeida.

A sessão plenária do STF sobre Moraes foi marcada por um momento de tensão entre o presidente do STF, Edson Fachin, e o ministro Flávio Dino, e também por um bate-boca dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça - com Moraes acusando parcialidade do colega na apuração. Gilmar Mendes chegou a apresentar uma ordem em que defendeu a suspensão do julgamento, mas por volta das 17h Fachin disse que a percepção é de que tanto Moraes quanto Mendonça devem votar.

A apreensão com essa discussão faz o mercado recolher um pouco a guarda, segundo o gestor de renda fixa da Armor Capital, Igor Campos. Fora isso, a alta dos juros desta terça se dá pelo "ambiente externo mais adverso, com escalada da guerra que faz os preços derivados do petróleo avançarem", acrescenta.

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O petróleo Brent para novembro subiu 2,9%, a US$ 108,75 por barril, diante de impactos sobre a oferta da commodity na Arábia Saudita após ataques dos houthis, do Iêmen, a um importante oleoduto no país.

No quadro técnico, o Tesouro Nacional vendeu nesta terça a oferta total de 1,15 milhão de NTN-B e de 750 mil LFT. O movimento chamou a atenção de Almeida, da Suno: "Mesmo nesse cenário de incerteza, que conta também com pesquisas eleitorais, o mercado tem mostrado apetite para absorver essas emissões, o que é positivo para o Tesouro", avalia.

No front eleitoral, pesquisa CNT/MDA mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liderando as intenções de voto no segundo turno acima da margem de erro, com 47,3%, contra 40% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Já a pesquisa Indexa/Broadcast tem Lula com 43% das intenções de voto, ante 42% de Flávio. A diferença entre os dois passou de cinco pontos porcentuais em agosto para um ponto em setembro, configurando empate técnico.

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