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Mercado vê comunicado mais duro do BC e mantém previsão de Selic em 15% até dezembro

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A maioria do mercado (28 de 31 instituições) projeta a manutenção da taxa Selic em 15% até o final de 2025 após o comunicado da decisão de setembro ter sido avaliado como duro pelos economistas consultados pelo Projeções Broadcast. De acordo com a sondagem, 12 instituições projetam o afrouxamento monetário a partir de janeiro e 14 a partir de março. Outras duas casas estimam cortes apenas a partir do segundo trimestre de 2026.

O comitê reiterou que, para garantir a convergência da inflação à meta, é necessária uma "política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado" e acrescentou que não hesitará em retomar um ciclo de ajuste, caso apropriado.

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A despeito da melhora da inflação corrente e das perspectivas à frente pela pesquisa Focus, o colegiado manteve a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no primeiro trimestre de 2027, horizonte relevante da reunião de ontem, em 3,4%. Além disso, disse o Banco Central (BC), o cenário externo segue incerto, enquanto o interno apresenta um mercado de trabalho ainda resiliente.

Para o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Daniel Xavier, o comunicado de quarta-feira, 17, referendou sua expectativa de que o espaço para a retomada dos cortes na Selic só deve aparecer após o primeiro trimestre do ano que vem. "A ideia que o comunicado passou é que o Copom não está confortável em discutir qualquer chance de cortar o juro. Ele não vê isso no cenário e não é o que se discute lá dentro", afirma Xavier, que considera que "todos os contornos" do comunicado vieram com uma linha "mais hawkish".

Em sintonia com boa parte do mercado, ele chama a atenção para o fato de que a projeção de inflação do BC para o primeiro trimestre de 2027 ter ficado estável em 3,4%, o que reforça esse discurso cauteloso. "Historicamente, o BC considera como 'ao redor da meta' um desvio de no máximo 0,20 ponto porcentual nas projeções de inflação. Ou seja, a mensagem é que ele ainda está desconfortável", diz Xavier.

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A opção por essa retórica, acrescenta o economista, pode inclusive ser uma estratégia do BC para ganhar ainda mais credibilidade perante o mercado, e garantir reduções adicionais nas expectativas de inflação. "Ele precisa preservar a linguagem hawkish para a desaceleração da atividade ficar mais disseminada e haver um efeito adicional de melhora das expectativas".

O Bradesco também avalia que o comunicado de ontem trouxe poucas mudanças e que o BC segue prezando por um discurso cauteloso. Essa cautela, segundo o banco, ficou evidente pelo fato de as projeções de inflação da autoridade monetária para o horizonte relevante terem ficado estáveis, "mesmo diante da melhora nos indicadores correntes".

O Bradesco destaca, por exemplo, que ao ter mantido a projeção de IPCA do primeiro trimestre de 2027 em 3,4%, o BC pode ter indicado que revisou suas estimativas para o hiato do produto ou juro neutro. "Desde a última reunião, houve queda nas expectativas de inflação, no preço do petróleo e na taxa de câmbio - fatores que tenderiam a reduzir a projeção do modelo. Isso sugere que o BC pode ter ajustado parâmetros como o hiato do produto ou a taxa neutra de juros", sugere o banco.

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O cenário-base do Bradesco é de início dos cortes na Selic apenas em janeiro, com expectativa de juro básico em 11,75% no fim de 2026. O economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Nicolas Borsoi, por sua vez, manteve, após o comunicado, seu cenário-base de cortes no juro já em dezembro. Ele ressalta, porém, que isso pode mudar, a depender do conteúdo da ata da reunião e do Relatório de Política Monetária (RPM), que serão publicados semana que vem.

Em linha com a leitura majoritária do mercado, contudo, Borsoi corrobora o tom um pouco mais duro que o esperado no comunicado do BC. A grande surpresa no comunicado foi o cenário de projeções do IPCA, porque o mercado já esperava uma redução para o primeiro trimestre de 2027 para algo próximo de 3,3%", observa.

"Há a hipótese de que o BC tenha revisado o hiato do produto para cima, o que de certa forma não conversa muito com os últimos dados da atividade, mas conversa com o mercado de trabalho. Essa seria uma visão bem mais dura do comunicado de ontem", acrescenta.

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Além disso, Borsoi avalia que o comunicado foi mais conservador por trazer pouco destaque para a desaceleração da economia brasileira, a melhora no câmbio, nas expectativas de inflação e nas commodities. "Parece que essa melhora no cenário não tocou muito o colegiado", afirma.

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