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Liderança inovadora exige menos controle e mais coragem para testar e errar, dizem painelistas

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"Se a cultura penaliza o erro, não tem inovação que sobreviva", afirmou Ana Bogus, presidente da Beiersdorf, durante painel Lideranças Inovadoras: Transformando Negócios e Pessoas nesta terça-feira, 13, no São Paulo Innovation Week (SPIW), maior festival global de tecnologia e inovação, realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap. Sob mediação de Sofia Esteves, fundadora da CIA de Talentos, a mesa reuniu executivos para discutir os desafios de inovar em um ambiente permeado pela inteligência artificial e pela pressão por resultados no curto prazo.

Os painelistas foram unânimes em apontar que a inovação depende da capacidade das lideranças em criar ambientes seguros para experimentação e a diversidade de pensamento. "Quem institui um ambiente de medo é a liderança, isso a protege e não permite que o problema chegue até ela", alertou Monique Araújo, sócia da McKinsey.

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Há uma contradição entre o desejo de inovar e a dificuldade das organizações em rever estruturas mais rígidas, pondera Monique. O vice-presidente da divisão de soluções para agricultura da BASF no Brasil, Marcelo Batistela, por sua vez, destacou que líderes e empresas se escondem atrás de processos e comitês. "Existe uma responsabilidade muito maior da liderança. Claro, não é fácil inovar, mas precisa ter um incentivo", pontuou Batistela.

Já para Ana Bogus, a trava para inovação inclui inúmeros fatores, entre eles o desalinhamento entre estrutura, cultura e pessoas dentro das empresas. "Se evoluem no mesmo ritmo, é mais fácil. Mas, se você tem uma liderança que centraliza informação e uma cultura que penaliza o erro, não tem inovação que sobreviva", disse.

Como inovar com IA

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Em meio à corrida para inovar com rapidez, a inteligência artificial chegou às empresas como um desafio humano e organizacional, apontam os especialistas. Questionados sobre o que mudou com o uso da IA, Monique Araújo afirmou que a incorporação na consultoria global ainda acontece de forma pontual. A preocupação da companhia no momento, afirma, é repensar modelos organizacionais e a forma como os negócios operam.

Na Beiersdorf, há embaixadores de IA que auxiliam outros profissionais que ainda não avançaram na tecnologia. Inclusive, Ana Bogus criticou a maneira como algumas empresas tratam profissionais que ainda não se adaptaram ao uso da IA.

"Tem empresa dizendo: essa pessoa não engajou com IA. Não queremos estar nesse lugar. É um momento disruptivo. Tem que abraçar quem está mais atrás."

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Nesse contexto, alguns métodos adotados por startups podem funcionar como exemplo para grandes corporações. É o caso do "testar e aprender", enquanto startups podem se beneficiar da disciplina operacional das companhias mais tradicionais.

O que nenhum MBA ensinou

Ainda que a IA e os motores da inovação exijam técnica e repertório, Sofia Esteves provocou que os executivos compartilhem aprendizados não óbvios que consideram fundamentais para liderar em tempos de transformação.

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Monique Araújo destacou a importância de construir coalizões internas. "Nada funciona se as pessoas não estiverem comprometidas", afirmou. Marcelo Batistela apontou propósito e adaptabilidade como competências indispensáveis em um cenário cada vez mais imprevisível.

Já Ana Bogus utilizou como referência uma professora de Harvard que conheceu recentemente. A docente decidiu começar a fazer aulas de cerâmica para estimular a presença durante o processo de inovação. "Não é sobre velocidade. É sobre presença", resumiu a presidente da Beiersdorf.

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, entre esta quarta-feira, 13, e sexta, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.

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