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Juros: curva abre na esteira de aversão a risco global

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A aversão a risco global contaminou a curva de juros, que passou a abrir nesta tarde. O mercado entendeu que nem mesmo o presidente Donald Trump descartou o risco de uma recessão nos Estados Unidos, o que fez o dólar acelerar alta e, em efeito dominó, com impacto primeiramente nas taxas curta e intermediária - que são mais sensíveis à política monetária - pelo maior risco inflacionário. Mas o vértice longo também acabou acompanhando o movimento, com o mercado se ajustando para leilão do Tesouro amanhã.

Por volta das 17h20, taxa do contrato de DI para janeiro de 2026 subia a 14,785%, de 14,733% no ajuste anterior. A taxa para janeiro de 2027 avançava a 14,675%, de 14,586%, e a taxa para janeiro de 2029 aumentava para 14,630%, de 14,567%.

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"O movimento hoje é global. A percepção de risco global piorou nesta tarde, então houve um aumento forte dos prêmios. Isso afeta o câmbio, e puxa os DIs", afirma o economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima. Ele vê o movimento como consequência da insegurança do mercado sobre a política tarifária do presidente Donald Trump, "que vai e volta", com várias casas inclusive revisando as projeções para o crescimento dos EUA e aumentando a possibilidade de recessão, segundo ele.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de recessão, Trump citou que a economia americana está em transição. "Essa declaração deu a entender que ele não descarta uma recessão nos EUA, então o mercado deu uma boa estressada", explica o economista-chefe da Equador Investimentos, Eduardo Velho. Ele menciona que o índice do medo Vix, "que capta a incerteza do mercado", chegou a saltar mais de 20%.

A apreciação do dólar, que fechou a R$ 5,85, leva à interpretação de maior risco inflacionário, o que pode tornar o trabalho do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) mais difícil à frente.

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No âmbito político, hoje a nova ministra da Secretaria das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, direcionou-se ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em seu discurso de posse, e disse que pretende "ajudar na consolidação das pautas econômicas desse governo", em um sinal de alinhamento com a agenda da equipe econômica.

Já o BC informou que adiou a publicação de dados fiscais de janeiro pela segunda vez, de 12 de março para 14 de março.

O mercado se prepara, ainda, para o leilão do Tesouro Nacional amanhã, que ofertará LFTs com vencimentos para 1º/3/2028 e 1º/3/2031, e NTN-Bs para 15/8/2030; 15/5/2035; e 15/8/2060. Com estresse no mercado externo, contudo, a perspectiva de alguns operadores de renda fixa é de que o Tesouro não oferte lotes grandes como fez nos primeiros dois meses do ano.

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