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Juros: alívio nos Treasuries ameniza espera por pacote e taxas longas recuam

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Os juros futuros de médio e longo prazos fecharam a segunda-feira, 25, em baixa, em meio à queda dos rendimentos dos Treasuries e informações apuradas pelo Broadcast sobre o desenho do pacote fiscal, que deve ser anunciado oficialmente até amanhã. Em compensação, mais uma rodada de piora nas estimativas de IPCA e Selic na pesquisa Focus renovou o pessimismo do mercado com os próximos passos da política monetária, deixando a ponta curta em alta moderada.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2026 encerrou em 13,28%, de 13,24% no ajuste de sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2027 caiu de 13,37% para 13,35%. O DI para janeiro de 2029 terminou com taxa de 13,12% (de 13,20%).

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Os juros dos Treasuries tiveram recuo expressivo na sessão e as taxas locais acompanharam. O mercado recebeu bem a escolha de Scott Bessent para chefiar o Tesouro dos EUA na próxima gestão de Donald Trump, anunciada na sexta-feira. Gestor de fundos de hedge e conselheiro econômico do republicano, Bessent defende que o programa de corte de impostos seja acompanhado por uma redução do déficit dos EUA via controle de gastos, o que, em tese, não sobrecarregaria a política monetária num cenário de aumento da inflação pelas políticas protecionistas prometidas por Trump.

Além da repercussão do nome de Bessent, os yields dos títulos norte-americanos aceleraram a queda à tarde após um leilão de US$ 70 bilhões em T-Notes de 2 anos com demanda acima da média. No fim da tarde, a taxa do papel (4,2%) seguia no mesmo nível da taxa da T-Note de dez anos. A pressão de baixa sobre a curva americana também vinha do recuo dos preços do petróleo, em meio à possibilidade de um cessar fogo entre Israel e o Hezbollah.

A melhora de humor no mercado internacional influencia a ponta longa da curva por ser este um trecho atrativo ao investidor estrangeiro. Outro fator que atua sobre os vencimentos longos é a percepção de risco fiscal.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com alguns ministros nesta tarde para discutir as medidas de contenção de despesas do governo, mas até o momento nada foi divulgado oficialmente. Na semana passada, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, havia dito que o pacote poderia ser anunciado até terça, 26.

"O mercado está esperando algo próximo de R$ 70 bilhões. Acredito que bastante disso já está no preço. Com algo dentro dessa magnitude, o mercado poderia melhorar marginalmente, mas não vejo tanto espaço assim", afirma o trader de renda fixa e moedas da Connex Capital Gean Lima. Por outro lado, caso as medidas frustrem as expectativas, a assimetria é muito maior para piorar do que para melhorar, afirma Lima, acrescentando ser importante ver se as medidas serão realmente de caráter estrutural.

O Broadcast apurou junto a fontes que o pacote inclui mudanças nas regras para concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC), no abono salarial, na política de reajuste do salário mínimo e na previdência e pensão de militares. Também deve entrar na lista uma mudança no porcentual das parcelas de recursos do Fundeb que é contabilizado no piso constitucional da educação.

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Parte dos prêmios de risco embutidos na curva vem da parte fiscal e do exterior e outra, da piora das expectativas para a inflação, mesmo com o mercado revisando projeção de Selic para cima.

A pesquisa Focus de hoje mostrou forte deterioração da medianas para o IPCA em 12 meses, de 4,14% para 4,36%, e para 2025, que saltou de 4,12% para 4,34%, ambas já mais perto do teto da meta de 4,50%. As expectativas para 2026 e 2027 também subiram, de 3,70% para 3,78% e de 3,50% para 3,51%, respectivamente.

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