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Ibovespa sobe 5% no mês e 8% no 3º trimestre, com fluxo estrangeiro e trade eleitoral

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O Ibovespa chegou ao fim de setembro fora da faixa dos 187 mil pontos, máxima intradiária batida nesta quarta-feira (187.834,97 pontos), mas com uma alta firme, impulsionado por um maior fluxo de recursos estrangeiros e pelo otimismo dos investidores com o acirramento da disputa nas eleições presidenciais. O índice encerrou o dia em alta de 1,37%, aos 186.340,46 pontos, acumulando no mês uma alta de 5,03%. No terceiro trimestre, o Ibovespa subiu 8,32%. No ano, a alta é de 15,6%.

Os últimos três meses foram marcados por um vaivém dos estrangeiros, com entrada de R$ 4,3 bilhões em julho na bolsa (entre ações listadas e ofertas de papéis), mas uma saída massiva de R$ 18,1 bilhões em agosto. Em setembro, houve uma retomada parcial da entrada de dinheiro desses investidores, de R$ 9,6 bilhões até o dia 28, conforme dados da B3. Esse movimento condiz com o desempenho das blue chips tanto nesta quarta, quanto no mês: todas, com exceção da Vale, acumularam ganhos firmes em setembro.

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Nesta quarta, o gatilho para a alta da bolsa foram os dados de inflação nos EUA divulgados pela manhã, que mostraram uma moderação dos preços na economia americana. Isso significa, potencialmente, uma política monetária mais afrouxada, o que é favorável a ativos de risco, caso do Brasil. Analistas e operadores destacam a relevância dos ativos brasileiros, mais descontados: o setor financeiro, de consumo, imobiliário e de utilities subiram em bloco.

"Podemos atribuir a divulgação dos dados de inflação dos Estados Unidos, que vieram abaixo das expectativas do mercado, ao movimento de alívio e maior otimismo observado hoje", afirma o head da mesa de operações do Banco Moneycorp, João Oliveira. "O resultado trouxe algum conforto aos investidores em relação à trajetória da inflação americana e reduziu, neste momento, a pressão por novas altas de juros pelo Federal Reserve (Fed) nas próximas reuniões."

Para o head de renda variável da Fami Capital, Gustavo Bertotti, o otimismo com os dados de inflação lá fora se soma às perspectivas de alternância de poder no Brasil, que também vêm levando os investidores a se reposicionar em ativos brasileiros, especialmente ao longo de setembro. A perspectiva dos agentes é de que uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) represente uma política fiscal mais austera do que a gestão do presidente Lula (PT).

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"O mercado deve reagir não apenas ao resultado das pesquisas, mas principalmente a qualquer sinal sobre a composição do próximo governo e, sobretudo, sobre sua agenda econômica e fiscal. A eleição pode aumentar a volatilidade de bolsa, câmbio e juros, mas o movimento mais importante será a precificação das expectativas para 2027", afirma o CEO da Trade Arena, Gabriel Jardim.

Os analistas ponderam que a alta do Ibovespa é bastante frágil. Isso porque tanto o cenário fiscal, quanto o ambiente macroeconômico como um todo ainda é ruim para as empresas, pressionadas pelos juros ainda elevados aqui e pelos constantes riscos no cenário internacional, com a guerra entre EUA e Irã em voga. O petróleo Brent, referência para a Petrobras, subiu quase 7% só em setembro - o que é bom para a empresa, mas negativo do ponto de vista da inflação global.

Na leitura do especialista em investimentos e sócio da AW Capital, Marcos Bassani, a inflação, as decisões do Banco Central e a trajetória da Selic serão fundamentais para definir o comportamento dos juros, do dólar e da Bolsa. E, no cenário externo, "juros americanos, petróleo e geopolítica também podem aumentar a pressão sobre os ativos brasileiros."

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"As pressões inflacionárias persistem, embora ligeiramente abaixo dos níveis esperados. A economia americana mostra-se resiliente mais uma vez, com o crescimento do PIB no segundo trimestre revisado para 2,2% e uma previsão de um resultado particularmente forte para o terceiro trimestre", afirma o head global multi-asset da Janus Henderson, Adam Hetts, em nota.

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