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Ibovespa renova mínima desde janeiro após ajuste em expectativas de juros

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O Ibovespa voltou a fechar no menor nível desde o fim de janeiro, em meio ao ajuste das expectativas para os juros no Brasil e à busca do investidor estrangeiro por outros emergentes com maior potencial de alta. A incerteza sobre os próximos capítulos da guerra no Oriente Médio também aumenta a aversão ao risco e pressiona a renda variável, ainda que favoreça a alta do petróleo e de ações do setor na B3.

O principal índice da Bolsa brasileira caiu 0,21%, aos 168.668,72 pontos - menor nível de fechamento desde 20 de janeiro, quando terminou o pregão a 166.276,90 pontos. O volume de negócios atingiu R$ 20,697 bilhões.

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A maior contribuição positiva para o índice veio de Weg (WEGE3 +3,63%, +0,10 ponto porcentual), seguida pela ação preferencial da Petrobras (PETR4 +0,81%; +0,06 pp). Na outra ponta, ficaram Vale (VALE3 -0,80%, -0,09 pp) e Itaú Unibanco (ITUB4 -0,80%, -0,07 pp).

Para Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, o movimento ocorre em um ambiente de saída de recursos externos. "Pegamos bastante saída de capital", afirma. "Hoje amanhecemos com o Focus trazendo revisões para cima em Selic, câmbio e IPCA, e com a percepção de risco-Brasil aumentando", diz.

A economista-chefe da InvestSmart, Mônica Araújo, reforça o papel do fluxo estrangeiro na formação de preços e diz que o investidor externo tem reduzido a exposição à Bolsa brasileira. Essa mudança decorre da percepção de que o espaço para cortes de juros diminuiu.

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Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, aponta receios dos investidores com inflação e juros mais altos, além de incertezas no horizonte político. Segundo Tavares, a percepção que havia no começo de 2026, de que o ano terminaria melhor do que começou, "se inverteu".

Araújo aponta que houve "uma realocação global para tecnologia" e que o Brasil tem pouca exposição direta a esse tema, o que também contribui para que o mercado local fique de lado, após a realização de parte dos ganhos acumulados no início do ano.

"Neste momento, outros países emergentes estão sendo os 'queridinhos' da vez", diz Teles, citando como exemplo a Coreia do Sul. O Kospi, principal índice acionário do país, acumula alta de 74% em 2026, com boa parte do avanço ocorrido desde o início de abril. No mesmo intervalo o Ibovespa perdeu valor, e passou a acumular alta de pouco menos de 5% neste ano.

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Tavares afirma que, na comparação entre emergentes, o Brasil "fica um pouco atrás" de mercados como África do Sul e Chile, que, segundo ele, "estão fazendo o dever de casa", em particular no âmbito fiscal, e se beneficiando dessa realocação.

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