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Ibovespa registra primeira alta semanal em mais de 2 meses, de olho em EUA-Irã

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Após volatilidade até o início da tarde, o Ibovespa acabou firmando leve queda nos encerramento dos negócios desta sexta-feira, 12. Os investidores adotaram posição defensiva antes do final de semana, mediante embate de narrativas entre Estados Unidos e Irã quanto a um acordo para encerrar a guerra, além de desconforto com a inflação acima do esperado em maio - o que pode se refletir em uma postura mais cautelosa por parte do Comitê de Política Monetária (Copom) na semana que vem e, na esteira, penalizar o resultado corporativo das empresas. Apesar da queda nesta sexta, o índice valorizou 1,25% na semana, testando recuperação após oito semanas consecutivas de baixa.

Já os índices de Nova York conseguiram subir em bloco nesta sexta-feira, com destaque para a ação da SpaceX chegando a um salto de 25% em sua estreia no Nasdaq. Neste sentido, parte do fluxo que poderia vir para a B3 também é esvaído para as ações de tecnologia.

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O Ibovespa fechou em baixa de 0,21%, aos 171.132,66 pontos, após mínima aos 169.992,77 pontos (-0,88%) e máxima aos 172.544,54 (+0,61%) pela manhã. Com a alta de 1,25% na semana, diluiu as perdas do mês para 1,53%, ainda mantendo ganho de 6,21% no ano de 2026.

Entre os carros-chefe da B3 nesta sexta, Petrobras cedeu mais de 1%, acompanhando desempenho do petróleo, enquanto Vale e a maior parte dos grandes bancos tiveram alta reduzida, menor que 1% - a exceção ficou para queda de 0,15% da Unit do Santander Brasil.

Por mais que os preços do petróleo tenham recuado mais de 3% nesta sexta, o conflito no Oriente Médio ainda não é página virada. Na quinta, o presidente dos EUA, Donald Trump, até chegou a animar os mercados ao afirmar que os pontos finais de um acordo já haviam sido aprovados por todas as partes envolvidas e que sua assinatura ocorreria em breve, possivelmente até o fim de semana.

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Contudo, nesta sexta-feira o Irã reiterou que o texto de memorando com os EUA não foi aprovado e negou uma concessão sobre Ormuz. Em seguida, Trump acusou Teerã de mentir sobre os termos de um possível acordo, dizendo que o detalhamento feito por autoridades iranianas à imprensa "não têm nada a ver" com os termos que foram acordados por escrito. No final do pregão, o Irã mencionou um memorando de entendimento, que será composto por 14 artigos e será a primeira etapa para um acordo definitivo com os EUA.

"Temos sinais divergentes em relação ao contexto diplomático - se é que podemos dizer isso - entre EUA e Irã. A gente vem observando esse famoso vaivém da crise, e o ponto é que agora o mercado está realizando um pouco do movimento" de alta da véspera, afirma a economista Bruna Centeno, sócia advisor da Blue3 Investimentos.

O head de renda variável da Fami Capital, Gustavo Bertotti, observa que os investidores ficam mais cautelosos com a proximidade do fim de semana, mencionando que neste em específico - já que antes o discurso dos EUA era de chegar a um acordo até este domingo - deve acontecer muita coisa ainda. "Agora estamos vendo novamente alguns impasses nas falas de Trump e do governo iraniano."

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Também pesou o fato de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve alta de 0,58% em maio, acima da mediana do mercado de 0,55% coletada pelo Projeções Broadcast. Centeno, da Blue3, enfatiza que alimentos e energia foram os principais componentes a puxar a inflação para cima, de modo que a indefinição quanto ao conflito no Oriente Médio faz o mercado começar a discutir até mesmo a possibilidade de o Copom optar pela manutenção da taxa Selic. "E sabemos que isso seria um movimento contrário à Bolsa", afirma.

Bertotti, da Fami Capital, também lembra que o desempenho do Ibovespa está fortemente correlacionado com o investidor estrangeiro que, nesta sexta, poderia estar mais interessado em Nova York do que na B3, considerando a estreia da SpaceX no mercado de ações. "O setor de tecnologia está performando bem nos EUA, com SpaceX", afirma.

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