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Ibovespa ignora China e cai com temor de juro mundial alto para conter preços

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O Ibovespa tenta recuperar ao menos o nível dos 98 mil pontos, mas mantém-se em queda superior a 1%, um pouco menos do que a vista nas bolsas norte-americanas. Por lá, o índice Nasdaq, por exemplo, cai perto de 2,90%.

"Teve surpresa positiva com dados da China após quatro meses de resultados fracos, mas ainda é cedo para precisar que o país superou os efeitos da pandemia. É algo positivo, mas isolado", avalia Lucas Carvalho, especialista em renda variável da Blue3.

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Conforme Carvalho, prevalece o temor de uma recessão global. Segundo afirma, mesmo com o núcleo do PCE dos EUA com alta menor do que a esperada em maio, o nível anual ainda é elevado, sem forças para reverter a tendência de baixa das bolsas. "Chama atenção as palavras de Jerome Powell presidente do Fed em evento do BCE, de que o aperto monetário envolverá alguma dor, mas que será preciso combater os preços. Ou seja, a indicação é de alta de juros para conter a inflação", analisa Carvalho.

Nos Estados Unidos, o índice de preços de gastos com consumo - medida de inflação preferida do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) - subiu 0,6% em maio ante abril. O núcleo do PCE, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, avançou 0,3% no período, vindo um pouco abaixo das expectativas de analistas, de 0,4%. Na comparação anual, o PCE subiu 6,3% em maio, repetindo a variação do mês anterior, e seu núcleo aumentou 4,7%, depois de avançar 4,9% em abril.

De acordo com a equipe do BTG Pactual digital, apesar dos dados de consumo e crescimento mais fracos nos EUA, continua estimando alta de 0,75 ponto porcentual no juro básico do país na reunião de julho, encerrando o ano com uma taxa em 3,625% (intervalo de 3,50%-3,75%).

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Além de sinais de melhora da economia chinesa, após dados de atividade mostrando expansão, a taxa de desemprego do Brasil, informada hoje, também é bem vista. A taxa de desocupação no Brasil ficou em 9,8% no trimestre encerrado em maio, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado ficou menor do que a mediana de 10,2% das estimativas na pesquisa Projeções Broadcast e do que o piso (9,9%). O teto era de 10,6%.

Contudo, pondera Carvalho, da Blue3, tende a gerar mais pressão inflacionária. Neste sentido, diz, o tom do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), também informado hoje pelo Banco Central (BC), sugere certa cautela. "Reconhece que o cenário é desafiador com riscos e oportunidades, e que os próximos trimestres serão de inflação pressionada", avalia, indicando que, neste quadro, os juros tendem a seguir altos por mais tempo que o esperado.

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Às 11h12 o Ibovespa cedia 1,72%, aos 97.905,46 pontos, após ceder 1,75%, na mínima intradia a 97.876,77 pontos.

"Ainda em consolidação, sem força para compra e se segurando na região de resistência de 100.000 pontos, se der continuidade na venda o primeiro alvo fica na região de 94.000", conforme análise técnica de Pam Semezzaro, analista da Clear Corretora.

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