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Ibovespa destoa de NY e cai sob receio com Copom e demanda por ações de IA

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O Ibovespa operou lateralizado e aquém da alta vista em Wall Street, pressionado pela falta de clareza em relação às próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) e pela rotação global de ativos, novamente focando em ações de tecnologia e Inteligência Artificial (IA) - enquanto a Bolsa brasileira é majoritariamente formada por commodities. O noticiário externo foi menos adverso, com o Irã confirmando aval para a assinatura de um memorando de entendimento com os EUA e para passagem gratuita pelo Estreito de Ormuz, embora sob rotas e horários específicos.

Após máxima aos 169.542,37 (+0,65%) pela manhã, o Ibovespa renovou mínima aos 167.910,63 (-0,32%) a tarde. Por fim, reduziu a baixa e fechou aos 168.277,55 pontos, com recuo de 0,10% à medida em que as ações da Petrobras conseguiram inverter o sinal para o positivo (ON 0,14% e PN, +0,73%), com petróleo fechando sem direção única. Vale (+0,20%) também ajudou, enquanto os grandes bancos recuaram, com exceção de BB ON (+0,62%).

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Apesar de o Copom ter entregue um corte de 0,25 ponto porcentual na Selic na quarta, conforme o esperado, operadores do mercado financeiro têm destacado que a comunicação gerou ruído, com debate sobre se o BC trata o centro da meta de inflação (3%) como um piso. Chamou a atenção o trecho do comunicado que cita projeções de inflação "abaixo da meta" no primeiro trimestre de 2028, o horizonte que só seria relevante na reunião de agosto, para justificar a flexibilização.

A diretora de macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management, Solange Srour, afirma que o BC sugere que "a meta de 3% funciona como piso efetivo, não como centro: desvios para cima são tolerados; desvios para baixo, ainda que hipotéticos, são evitados". Para ela, se essa leitura se consolidar, as expectativas podem deixar de se ancorar em 3%.

Pesquisa Projeções Broadcast mostra que a comunicação reforçou a aposta por um último corte de 0,25 pp na Selic em agosto, com economistas mencionando expectativa de que a ata da autoridade - que deve ser divulgada na próxima terça, 23 - suavize o ruído deixado, detalhando sua leitura sobre a trajetória de juros e inflação, com menção ao próximo horizonte relevante.

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Enquanto isso não acontece, operadores de renda variável mencionam que é natural - ainda mais considerando o tom mais duro do Federal Reserve (Fed) de quarta - um retorno do fluxo estrangeiro para ativos americanos, o que é vislumbrado inclusive pela alta do dólar neste pregão.

"Acho que até por conta do Fed lá fora, o dólar global está mais apreciado. Vamos ter juros altos por mais tempo e isso pode atrair recursos para lá. Por consequência, impactou negativamente a Bolsa", afirma o head de renda variável da Veedha Investimentos, Rodrigo Moliterno. Ele destaca que o mercado brasileiro está com um volume baixo e dependente do estrangeiro. Por ora, há "um movimento de venda de emergentes, voltando para os Estados Unidos, principalmente para empresas de tecnologia e de IA", afirma, destacando ainda que o Ibovespa, diferentemente, é forte em commodities.

O petróleo fechou em direções opostas nesta quinta-feira, 18, enquanto o mercado se concentra no movimento de navios pelo Estreito de Ormuz após a assinatura do acordo entre Estados Unidos e Irã. A commodity operou volátil perto do fechamento, recuperando-se das mínimas, enquanto o contrato do Brent passou a operar em alta.

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O especialista em renda variável da Manchester Investimentos, Felipe Cunha, destaca o tom do presidente do Fed, Kevin Warsh. Por mais que o movimento do BC americano na quarta tenha sido de manter os juros, a comunicação é de que há possibilidade juros maiores à frente. Isso, somando ao temor de pautas-bomba no Congresso brasileiro, faz o mercado doméstico operar com um "pessimismo dominado por um desânimo", avalia.

Moliterno, da Veedha Investimentos, também cita questões eleitorais e fiscais como pontos focais do investidor, recentemente tendo viés mais negativo para a Bolsa.

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